Bons frutos da Pinot

Conseguir um Bourgogne fora da Bourgogne parece ser a meta de muitos produtores que insistem no cultivo e elaboração de vinhos com a dificílima e caprichosa uva Pinot Noir, que dá alguns dos melhores, mais complexos e elegantes tintos do mundo em sua região de origem. Pelo que conheço, ninguém conseguiu tal façanha. Em compensação, essa tendência, ou desafio, fez nascer ótimos tintos nos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e Chile. Atenção, estamos falando de bons vinhos feitos com a uva e não de cópias de Bourgogne. Quem quiser um Bourgogne deve procurar na Bourgogne. Também não se deve provar os tintos dessa uva de vários países, comparando com os da Bourgogne. A Pinot continua na moda e o mercado continua demandando os seus vinhos. A Pinot Noir nasceu na Bourgogne e desempenha papel importante na composição do champanhe. Ela também é muito usada na elaboração de espumantes em vários países. No Brasil e Argentina, por exemplo, a Pinot Noir é mais lembrada para os espumantes. No Chile, ela está se propagando mais ou menos rapidamente e é usada principalmente na elaboração de vinhos de mesa, alguns dos quais excelentes, mas não comparáveis e nem semelhantes aos grandes da Bourgogne. Aqui, vamos ficar com os produtos mais econômicos, numa faixa de preço até R$ 50. Além dos exemplares apresentados na coluna, deve ser destacado o Morandé Reserva Pinot Noir 2007, outro exemplar de Casablanca, um tinto de classe, com grande concentração de cor e de sabor, o que não é muito típico da Pinot Noir. A Pinot Noir é uma uva de clima frio. Sua casca é fina e não suporta muito o calor e o sol. A Bourgogne e a Champagne são zonas frias. Assim, os produtores dessa uva em outros países procuram zonas sem muito sol e com temperaturas mais baixas. O Chile é um exemplo disso, pois suas plantações de Pinot se concentram nas zonas mais frias dos Vales de Casablanca e de San-Antonio-Leyda. São muitos os que acreditam na Pinot na zona fria de Bio-Bio, ao Sul do Valle Central. MORANDÉ PINOT NOIR PIONERO 2006 ONDE ENCONTRAR: KYLIX VINHOS - 3825-4422 PREÇO: R$ 27,20 COTAÇÃO: 87/100 Pablo Morandé "descobriu" o Vale de Casablanca. Foi o primeiro a plantar uvas nessa zona. Sua vinícola produz vinhos de vários níveis e das mais diversificadas cepas. Os do Vale de Casablanca, como este, costumam ser muito bons. O Pionero Pinot Noir tem ótima relação qualidade-preço. Um vinho gostoso, fresco, alegre, fácil de beber, acompanhando pratos e como aperitivo. Bom também para bebericar. Bem clarinho, como é natural. Quase um rosado. A Pinot Noir não costuma transmitir tanta cor aos seus vinhos. Aroma gostoso, mas não intenso. Frutas dominam o aroma. Simples, "doce" e com algo vegetal. Na boca, agradou bastante. Não é um vinho complexo e encorpado, mas fresco, gostoso, com ótima acidez. Convida ao próximo gole. Frutado e equilibrado. Mais do que pronto para o consumo. 14% de álcool. WILLIAM COLE PINOT NOIR MIRADOR SELECIÓN 2007 ONDE ENCONTRAR: ANA IMPORT- 5501-1900 PREÇO: R$ 36 COTAÇÃO: 89/100 PONTOS O produtor norte-americano William Cole concentrou seus investimentos no Vale de Casablanca, de onde vem este tinto fácil de beber e de gostar, talvez o melhor do lote. Um vinho jovem, porém pronto para o consumo. Boa relação qualidade-preço. Cor rubi não muito clara e sem sinas de evolução. Aroma muito gostoso, direto, intenso e evocando a uva de origem. Frutas vermelhas, talvez framboesas. Continuou muito agradável em todas etapas na boca, do ataque ao final. Começou muito gostoso, redondo e com muita fruta. Sem arestas. Não dos mais encorpados, como era de se esperar, porém elegante e, sobretudo, muito fresco. Fácil de beber, nada enjoativo e típico, evocando a Pinot Noir. Um tinto ligeiro, equilibrado e longo. Álcool bem comportado. Deixou uma sensação agradável e duradoura na boca. 13,5% de álcool. CONO SUR ?BICICLETA? PINOT NOIR RESERVA 2007 ONDE ENCONTRAR: WINE PREMIUM - 3040- 3411 PREÇO: R$ 39 COTAÇÃO: 88/100 A Cono Sur é uma vinícola de ponta, controlada pela gigante Concha y Toro, mas com total autonomia. A vinícola e parte dos vinhedos ficam em Chimbarongo, no Vale de Colchagua, mas ela também faz vinhos com uvas do Vale de Casablanca. É o maior produtor individual de Pinot Noir do mundo. Seu Ocio é o melhor Pinot Noir do Chile que bebi. A bicicleta desenhada no rótulo representa o compromisso da vinícola com a ecologia. Efetivamente, a Cono Sur procura cultivar uvas e fazer vinhos com poucas agressões ao meio ambiente. Aroma muito gostoso, porém não muito intenso. Frutas e algo floral no nariz. Na boca, gostoso e muito fresco. Acidez marcante, que alguns poderão estranhar. Muito bom mesmo na boca. Pronto para o copo. "Quente", mas não alcoólico. Equilibrado. Não dos mais longos. 14% de álcool. MONTES SELEC. LIMITADA PINOT NOIR 2007{HEADLINE} ONDE ENCONTRAR: MISTRAL - 3872-3400 PREÇO: R$ 46,17 COTAÇÃO: 89/100 A Montes, uma vinícola relativamente nova que não faz vinhos para o dia-a-dia, foi fundada visando ao mercado externo. Aurelio Montes é um dos enólogos mais respeitados do Chile. As instalações e os vinhedos principais da Montes ficam no Vale de Colchagua, mas faz vinhos com uvas de várias zona. O rótulo informa que este é de Aconcagua, mas a uvas são de Casablanca e Leyda, zonas mais frias dessa região administrativa. Aroma realmente bom, gostoso, mas pouco intenso. Bastante intensidade de cor, talvez um pouco demais para um Pinot. Na boca, o ponto alto. Tinto de bom corpo e intensidade de sabor. Redondo, sem arestas e macio. Taninos macios, como se espera de um Pinot. Longo, deixou sensação agradável na boca. Um pouco alcoólico. 14,5% de álcool.

saul.galvao@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2008 | 02h30

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.