Bope faz maior apreensão de cocaína deste ano no Rio

Operação buscava armas roubadas da segurança de Sérgio Cabral e acabou apreendendo 174 kg da droga

Pedro Dantas e Talita Figueiredo, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2008 | 18h56

Em operação montada para buscar armas que foram levadas de um grupo da segurança da família do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, o Batalhão de Operações Especiais (Bope), fez nesta quarta-feira, 14, a maior apreensão de cocaína do ano ao encontrar 174 quilos da droga em uma casa no Complexo do São Carlos, no Catumbi, zona norte da cidade. A quantidade de drogas foi avaliada em cerca de R$ 1 milhão. Quatro homens armados roubaram na terça-feira, 13, três pistolas e um fuzil de três policiais militares que protegem um dos cinco filhos do governador. O assalto aconteceu a menos de 300 metros do Palácio Guanabara, em Laranjeiras, zona sul da capital fluminense, para onde a equipe voltava depois de deixar o filho de Cabral em casa, no Leblon. É a segunda vez que a segurança da família do governador é assaltada em menos de um mês. Na ação, dois supostos criminosos foram mortos e, além da droga, mais de 1.400 munições de fuzil novas também foram apreendidas. Segundo o comandante do Bope, tenente-coronel Pinheiro Neto, a PM já investigava a existência de grande quantidade de cocaína no complexo, mas a operação foi antecipada depois do recebimento de "informações" de que as armas dos seguranças de Cabral "possivelmente" estavam em um dos morros do complexo. Segundo o governador, o roubo às armas é uma prova de que a política de enfrentamento ao crime está enfraquecendo os criminosos. Ela afirmou que os assaltantes buscavam apenas armas. "Um fuzil que antes custava R$ 15 mil, hoje custa R$ 40 mil", disse. "A tática (dos criminosos) exige resposta. Já estamos em operação na área do Catumbi, há pistas e vamos dar a resposta ", disse o governador, nesta manhã. Segundo a Assessoria de Comunicação do governo, os criminosos teriam descoberto que os seguranças do governo eram PMs. Populares que presenciaram a cena disseram que um dos bandidos chegou a gritar "mata, mata que é policial", mas desistiram da execução, porque a ação despertou a atenção dos moradores. Segurança pública No dia 18 do mês passado, uma policial que é guarda-costas de um dos filhos do governador teve o carro particular, um Meriva, roubado quando chegava ao Palácio Guanabara. No ano passado, o PM lotado na segurança do governador, Guaracy de Oliveira Costa, de 27 anos, morreu ao reagir a um assalto no Engenho de Dentro, na zona norte do Rio. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, disse que vai avaliar a necessidade de aumentar a segurança da família do governador, mas que a princípio os casos de ataques aos seguranças não foram "escolhidos". "Acho que (os assaltos) não têm nada a ver com a segurança do governador", afirmou. No entanto, serão tomadas "medidas" para aumentar o policiamento no entorno do Palácio Guanabara. Beltrame comemorou a apreensão da cocaína, que estava escondida em sacos de lixo dentro de uma casa na parte baixa do morro do São Carlos. Cerca de 135 quilos da cocaína estava misturada a outros produtos químicos para aumentar o rendimento da droga; outros 36 quilos da droga estava puro e ainda seria misturada com outros ingredientes, podendo render até três ou quatro vezes essa quantidade; e 2 quilos eram de pasta base, que ainda não havia sido refinada. Participaram da operação 150 homens do Bope, que tiveram auxílio de três helicópteros e quatro carros blindados. A ocupação não tinha hora para terminar. A polícia informou também que não vai se limitar a buscar as armas roubadas dos seguranças de Cabral no Complexo do São Carlos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.