Bope ocupa Alemão para montar UPPs; suspeitos são presos

O pelotão de elite da Polícia Militar do Rio de Janeiro (Bope) iniciou nesta terça-feira a ocupação do conjunto de favelas do Alemão, na zona norte da cidade, para preparar o terreno para a instalação de uma mega Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), informou a polícia.

RODRIGO VIGA GAIER, REUTERS

27 Março 2012 | 17h22

Pelo menos três suspeitos foram presos no primeiro dia da ocupação do Alemão, e também foram apreendidas armas e drogas no interior do complexo de favelas.

"Estamos pavimentando um caminho para a instalação das UPPs no Alemão, o que deve acontecer até o fim de junho", disse o relações-públicas da PM do Rio, Frederico Caldas.

"Nosso papel agora é conquistar a confiança da população. Isso é importante para a sequência do trabalho", afirmou Caldas. "Faremos vistoria em pessoas suspeitas e em casas sobre as quais recebermos informações de que pode haver traficantes escondidos", disse.

A polícia, que montou um cerco aos acessos do Alemão, também realizou operações em outras comunidades da capital e do interior do Estado para evitar uma eventual fuga de traficantes do Alemão para essas comunidades. Além disso, foram distribuídos panfletos para orientar a população sobre denúncias anônimas.

A comunidade onde moram mais de 100 mil pessoas foi dominada por forças de pacificação no fim de 2010 e, desde então, é ocupada por tropas militares da Força de Pacificação.

A ocupação do Bope é o início do processo de transição de saída dos militares das Forças Armadas e a entrada dos policiais militares do Estado.

"A partir desta terça-feira, a Força de Pacificação dá início ao processo de transição da responsabilidade pela segurança da Área de Pacificação à Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, que passará a ocupar gradualmente os complexos do Alemão e da Penha", segundo nota da Força de Pacificação.

Essa transição pode durar até três meses, segundo as autoridades envolvidas na operação.

O governo do Rio de Janeiro vem preparando e qualificando policiais e novas equipes para trabalharem na UPP do Alemão. Cálculos da Secretaria de Segurança apontam para a necessidade de mais de 2 mil homens permanentes na UPP, que pode ter cerca de 10 sub-bases dando apoio a uma unidade central.

As duas primeiras sub-bases podem começar a ser instaladas ainda nessa semana nas comunidades da Fazendinha e Nova Brasília, que pertencem ao conjunto de favelas.

"Vamos apoiar a chegada da polícia nessa primeira fase da ocupação para que ela se dê de maneira ordeira, pacífica e tranquila", disse o relações-públicas da Força de Pacificação, Fernando Fantazini.

"As atividades de substituição iniciam pelas comunidades da Fazendinha e Nova Brasília, no Complexo do Alemão, com a previsão da assunção das Forças Policiais, finalizando no Complexo da Penha", acrescentou a nota.

A presença dos militares no Alemão foi marcada por alguns problemas e casos de violência. Houve tumulto entre militares e moradores, confronto entre traficantes e homens da Força de Pacificação e até mortes.

O Alemão foi ocupado no fim de 2010 após uma onda de ataques de traficantes pela cidade. Ônibus foram incendiados, carros de passeio, roubados e destruídos, além de ataques a viaturas policiais e a representações da polícia, como quartéis, cabines e guaritas.

As UPPs são a nova estratégia de segurança do governo do Rio de Janeiro e aposta da Secretaria de Segurança para reduzir os índices de violência e criminalidade no Estado, visando também grandes eventos como Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016.

Mais conteúdo sobre:
GERAL RIO ALEMAO ROCINHA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.