Bósnia adia primeiro censo pós-guerra por falta de cooperação nacional

O primeiro censo da Bósnia desde a guerra de 1992 a 1995 foi adiado nesta quarta-feira até outubro, já que governos regionais têm discordado sobre como conduzir o levantamento nacional.

Reuters

23 de janeiro de 2013 | 16h38

Algo tão rotineiro como contar o número de cidadãos é muito delicado na Bósnia, onde divisões étnicas e religiosas estiveram no centro das guerras dos anos 1990, quando 100.000 pessoas foram assassinadas e 2 milhões deslocadas durante o colapso da Iugoslávia.

As regiões da Bósnia estão ligadas por um fraco governo central, perseguido por questões sensíveis em torno da religião, língua e etnicidade. O desenvolvimento e as reformas são muitas vezes reféns da politicagem étnica e visões conflitantes do futuro da nação.

Os bósnios muçulmanos estão em campanha para que membros de seu grupo étnico se declarem como tal no censo, temendo que, caso contrário, os resultados cimentem os efeitos da limpeza étnica dos tempos de guerra, diminuindo a influência dos chamados bosníacos.

Entre as razões para o adiamento, o governo citou troca de informações entre agências regionais, revisão dos questionários, treinamento da equipe de campo e registro de endereços.

O censo, originalmente planejado para ocorrer em abril deste ano e agora previsto para entre 1 e 15 de outubro, pode ter ramificações para o complexo sistema de divisão de poder étnico consagrado no tratado de paz de Dayton que pôs fim à guerra.

Os líderes políticos rivais sérvio, muçulmano e croata discordaram por muito tempo sobre a forma do censo, mas finalmente chegaram a um acordo em fevereiro do ano passado sob pressão da União Europeia, da qual a Bósnia esperar fazer parte um dia.

Autoridades do bloco europeu avisaram no mês passado que a falta de vontade política para resolver questões do censo rapidamente provavelmente levaria a um adiamento. A UE precisa de dados atualizados da população de seus futuros membros a fim de poder planejar melhor a ajuda financeira.

O Acordo de Dayton dividiu a Bósnia em duas entidades autônomas e étnicas: a Federação, dominada por bósnios muçulmanos e croatas, e a República Sérvia, liderada por sérvios.

O último censo do país aconteceu em 1991, quando sua população era de 4,4 milhões de habitantes, sendo 43,7 por cento muçulmanos, 31,4 por centos sérvios e 17,3 por cento croatas.

(Reportagem de Maja Zuvela)

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