Bovespa fecha em baixa por realização de lucros e preocupações com inflação e racionamento

A Bovespa teve sua segunda queda consecutiva nesta quarta-feira, em novo pregão de realização de lucros, com a aceleração da inflação em março piorando o humor do mercado e ações do setor elétrico sofrendo com temores sobre racionamento.

PRISCILA JORDÃO, Reuters

09 Abril 2014 | 18h20

O Ibovespa recuou 0,86 por cento, a 51.185 pontos. O giro financeiro do pregão totalizou 7,5 bilhões de reais.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,92 por cento no mês passado, maior avanço para o mês de março em 11 anos. O resultado contribuiu para esfriar o ânimo de investidores sobre o rali de mais de 15 por cento da bolsa de meados de março até segunda-feira.

"A alta do IPCA mostra que o cenário (macroeconômico) ainda é bem desafiador e todo o ânimo que vimos na bolsa talvez seja mais técnico", disse o analista de renda variável da Leme Investimentos João Pedro Brugger. "O movimento (de alta do Ibovespa) me pareceu um pouco exagerado, já que os fundamentos da economia não mudaram", completou.

O sócio da Órama Investimentos Álvaro Bandeira acredita que, caso o movimento de realização de lucro continue, o índice deve encontrar suporte na faixa dos 50.500 pontos. "Os preços não estão mais tão achatados assim e o dinheiro de estrangeiros vai passar a entrar com maior cuidado."

O Ibovespa chegou perto de zerar as perdas durante a tarde, após investidores verem na ata da última reunião do banco central dos Estados Unidos sinais de que a política monetária norte-americana não será alterada tão cedo.

Na cena corporativa, as ações ordinárias e preferenciais da estatal Eletrobras encabeçaram a lista de maiores baixas do Ibovespa, com recuo superior a 6 por cento, mas outros papéis do setor elétrico, como Copel e Light, também cederam.

Operadores citaram rumores de que a consultoria PSR, uma das principais e mais respeitadas do setor elétrico do país, divulgaria em breve relatório indicando necessidade de racionamento de energia ou que recomendaria ao governo federal adotar essa medida.

Consultada pela Reuters, a PSR negou que tenha enviado recomendação de racionamento ou que se reunirá em breve com integrantes do governo federal para tal fim. A PSR participará de uma teleconferência para clientes da corretora Brasil Plural na quinta-feira, e a expectativa é que a consultoria divulgue informações indicando necessidade de racionamento.

Depois da Eletrobras, as maiores baixas foram registradas pelas siderúrgicas Usiminas e CSN. Nesta quarta, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou em votação unânime que a CSN reduza sua participação acionária na Usiminas, o que deve pressionar papéis da última.

No sentido contrário, as ações da operadora Oi registaram a maior alta do Ibovespa, de 5,43 por cento, em movimento atribuído à cobertura de posições vendidas.

(Reportagem adicional de Anna Flávia Rochas)

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