Bovespa sobe por Eletrobras, mas tem pior 1o tri em 18 anos

A Bovespa avançou nesta quinta-feira, apoiada no salto das ações da estatal de energia Eletrobras, mas amargou seu pior desempenho para um primeiro trimestre em 18 anos.

DANIELLE ASSALVE, Reuters

28 de março de 2013 | 18h32

O Ibovespa subiu 0,57 por cento nesta sessão, a 56.352 pontos, no terceiro pregão seguido de alta.

Apesar do alívio recente, o índice acumulou queda de 1,87 por cento em março e de 7,55 por cento no trimestre, no pior resultado para os três primeiros meses de um ano desde 1995.

"Foi ruim, mas vale lembrar que não foi um período catastrófico para todo mundo", disse o gestor Marc Sauerman, da JMalucelli Investimentos em Curitiba. "Quem mais sofreu foram as empresas de Eike Batista e Vale, que têm peso grande no índice."

A desconfiança do mercado com as perspectivas para as companhias do grupo EBX, de Eike, levaram a petrolífera OGX a amargar queda de 47,3 por cento no trimestre e a mineradora MMX a afundar 50,3 por cento no período.

Já a preferencial da Vale acumulou queda de 18,7 por cento no trimestre, em meio à disputa com o governo sobre o pagamento de 4 bilhões de reais em royalties.

Preocupações com a economia brasileira pesaram nos negócios no período, segundo analistas, diante de crescentes pressões inflacionárias e intervenção estatal no setor privado.

"Se tirar o risco de ingerência do governo e a inflação começar a ceder, você tem uma chance grande de reação na Bovespa", disse o economista Guido Chagas, da Humaitá Investimentos em São Paulo.

"Mas ainda não apostaria todas minhas fichas numa recuperação já em abril... A partir de maio, quando você começar a ver uma postura mais amigável do governo, então você deve ter uma perspectiva melhor", acrescentou.

Além das incertezas domésticas, o ambiente externo também deve continuar no radar de investidores, com destaque para a crise da dívida na zona do euro.

Profissionais de mercado também citavam preocupações de que uma eventual realização de lucros em Wall Street --cujos índices seguem próximos das máximas históricas-- pressione também o mercado brasileiro.

"Está difícil prever o comportamento da bolsa porque está difícil fazer previsão de cenários em geral", disse Pablo Spyer, um diretor na Mirae Asset Securities em São Paulo.

"Esse é um ano para apostar em small caps, empresas mais ligadas à demanda interna, que têm caráter mais defensivo. Para fugir da volatilidade, a saída é olhar para setores como consumo, saúde, educação", acrescentou Spyer.

ELETROBRAS DISPARA

Nesta sessão, as ações da Eletrobras tiveram a maior alta diária em quase 4 meses, após a estatal de energia manter o pagamento de dividendos, apesar de ter amargado prejuízo histórico no quarto trimestre.

A ação preferencial classe B da Eletrobras saltou 16,19 por cento, a 12,70 reais, enquanto a ordinária teve alta de 11,84 por cento, a 6,99 reais.

Por outro lado, as blue chips fecharam o dia em queda. A preferencial da Vale caiu 1,16 por cento, a 33,24 reais; a da Petrobras cedeu 0,38 por cento, a 18,35 reais. OGX perdeu 3,35 por cento, a 2,31 reais.

Marfrig liderou as perdas do Ibovespa, caindo 5,17 por cento, a 8,44 reais. O prejuízo da empresa de alimentos se aprofundou no quarto trimestre de 2012, para 284,2 milhões de reais.

O giro finanCeiro da Bovespa nesta véspera de feriado foi de 6,96 bilhões de reais, abaixo da média diária de 7,5 bilhões de reais em 2013.

No exterior, o dia foi positivo para os principais mercados acionários globais, na medida em que os bancos em Chipre reabriam de modo relativamente calmo após o controverso resgate para a ilha.

(Por Danielle Assalve)

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