Bovespa tem o melhor mês desde abril de 2008

A alta de empresas ligadas a metais selou o fechamento positivo da Bovespa no mês, ilustrando um trimestre em que a recuperação dos preços das commodities permitiu ao mercado acionário doméstico encontrar um piso em meio à volatilidade oriunda da crise global.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

31 de março de 2009 | 18h19

De carona na recuperação dos mercados internacionais, o Ibovespa fechou o dia valorizado em 0,67 por cento, aos 40.925 pontos, subindo 7,2 por cento em março, que foi o melhor de onze meses.

O giro financeiro da sessão foi de 4,18 bilhões de reais.

Para profissionais do setor, a necessidade de alguns mercados de recompor estoques de produtos como minério de ferro e petróleo deu sustentação aos preços de empresas domésticas ligadas a esses setores, responsáveis por cerca de metade do peso do Ibovespa.

"O mercado à frente ainda é de muitas incertezas, mas a recuperação das commodities fez os investidores encontrarem um chão", disse André Spolidoro, sócio-gestor da Nobel Asset Management.

Essa é, segundo ele, a melhor explicação para o índice ter fechado o trimestre com valorização de 9 por cento, enquanto o Dow Jones da Bolsa de Nova York acumula baixa de 12 por cento no ano, mesmo após a recuperação fulminante deste mês.

"As medidas do governo norte-americano para montadoras e bancos deram uma melhorada no humor do mercado nas últimas semanas", afirmou Américo Reisner, da Fator Corretora.

Ambos concordam que a volatilidade deve permanecer alta nos próximos meses, à medida que surjam notícias de mais prejuízos e até falências de bancos e montadoras.

"Mas agora os analistas já têm alguns dados para poder fazer contas. É melhor do que estávamos alguns meses atrás", disse Spolidoro.

Nesta terça-feira, um dia após um repique nos temores com bancos e montadoras dos Estados Unidos, os investidores apoiaram-se em notícias corporativas para voltar às compras.

Ações de bancos recuperaram-se do tombo da segunda-feira após o Barclays ter recusado receber ajuda do governo inglês e o Fortis prever um futuro animador, mesmo após amargar um prejuízo de 28 bilhões de euros em 2008.

Na cabeça do investidor, o alívio momentâneo dos bancos se sobrepôs a mais uma bateria de dados desoladores da economia norte-americana, com a atividade no Meio-Oeste recuando mais do que o esperado e o índice de confiança do consumidor ainda perto da mínima recorde em março. Em Wall Street, o Dow Jones subiu 1,16 por cento.

No mercado doméstico, a retomada das compras mirou sobretudo as siderúrgicas. Usiminas tomou a frente, com valorização de 4,8 por cento, para 29,50 reais. Gerdau avançou 2,9 por cento, valendo 12,90 reais.

Vale subiu 0,3 por cento, a 26,75 reais. Do outro lado, Petrobras cedeu 0,8 por cento, a 28,55 reais.

Na ponta de baixa, ficou o setor aéreo. De nada adiantou a Petrobras anunciar que vai reduzir o preço do querosene de aviação a partir da quarta-feira. O prejuízo de 1,12 bilhão de reais da TAM no quarto trimestre manteve o mercado pessimista com o segmento.

TAM mergulhou 3,8 por cento, para 12,70 reais. Gol perdeu 2,1 por cento, valendo 6,65 reais.

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