Bradesco lucra mais com VisaNet, mas crédito para e provisão sobe

O Bradesco procurou manifestar otimismo para a segunda metade de 2009, depois de ter reportado nesta quarta-feira que seus resultados do segundo trimestre foram mais uma vez manchados pelos efeitos da crise intensificada no final do ano passado.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

03 Agosto 2009 | 15h24

O segundo maior banco privado brasileiro reportou lucro líquido de 2,297 bilhões de reais no trimestre e de 4,020 bilhões de janeiro a junho, com aumento de 14,7 por cento e de 2,8 por cento em relação aos mesmos períodos do ano passado.

O aumento no lucro não refletiu, no entanto, o desempenho operacional da instituição no período. Na sua atividade principal, a concessão de crédito, o Bradesco viu sua carteira total encolher 0,1 por cento ante março, para 212,768 bilhões de reais, ainda que tenha crescido 18,1 por cento em 12 meses.

O lucro foi impactado por duas forças contrárias. Para baixo em função do reforço de 1,3 bilhão de reais nas provisões para perdas, num período em que a inadimplência subiu de 3,4 por cento para 4,6 por cento no intervalo de 1 ano.

E para cima devido ao lucro bruto de 2 bilhões de reais com a venda de parte das ações que o banco detinha na VisaNet, por meio de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em junho.

Na segunda metade do ano, o banco acredita que sinais consistentes de recuperação da economia reflitam em melhor desempenho das operações de crédito, com aumento das operações e menor inadimplência.

"O pior está passando. A tendência é de estabilização (da inadimplência) a médio prazo", disse o presidente do banco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, em teleconferência com jornalistas.

GUIDANCE PIOR E OTIMISMO

Essa visão mais positiva para o segundo semestre, no entanto, não foi suficiente para conservar as previsões anteriores para o crédito. Por isso, o Bradesco reduziu a expectativa de expansão do financiamento da faixa de 13 a 17 por cento para a de 8 a 12 por cento no acumulado em 2009.

A principal aposta do banco é o varejo, setor em que os financiamento evoluíram 13,2 por cento no espaço de 12 meses até junho, para 74,3 bilhões de reais. A expansão sobre março foi de apenas 0,8 por cento.

Já o crédito destinado a empresas, embora tenha crescido 20,9 por cento sobre junho de 2008, para 138,48 bilhões de reais, encolheu 0,6 por cento ante março.

O Bradesco prevê uma redução no ritmo de crescimento da inadimplência das pessoas físicas, mas avalia que as "micro, pequenas e médias empresas ainda merecem atenção".

SERVIÇOS E MARGEM

As receitas de prestação de serviços do banco totalizaram 2,91 bilhões no segundo trimestre, uma evolução de 9,6 por cento em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

Ao mesmo tempo, a margem financeira do período totalizou 7,56 bilhões de reais, um salto de 26,9 por cento sobre à registrada no segundo trimestre de 2008.

O banco fechou junho com ativos totais de 482,478 bilhões de reais, um avanço de 19,7 por cento sobre igual mês de 2008.

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