Braga assume liderança do governo no Senado e tenta conter base

O senador Eduardo Braga (PMDB-AM) assumiu nesta terça-feira a liderança do governo no Senado em meio a turbulências na base, e deve enfrentar a difícil tarefa de melhorar a interlocução da base com o Planalto.

REUTERS

13 Março 2012 | 21h15

Para tanto, o novo líder pretende levar demandas de senadores à Presidência e aproximá-los de ministros e das discussões a respeito de programas e projetos do governo.

"Ter uma base tão grande é, ao mesmo tempo, uma solução e um problema", disse Braga a jornalistas.

"A presidenta sabe que nós vamos construir um modelo de trabalho na liderança do governo para tentar dar uma dinâmica e dar a ela um panorama e um cenário absolutamente verdadeiros para que ela possa tomar as decisões com as informações corretas na mão", afirmou o novo líder.

Ele negou, no entanto, que seja o PMDB o principal ingrediente da tempestade que atingiu a base da presidente Dilma Rousseff nos últimos dias.

A crise veio à tona há cerca de duas semanas, quando deputados do PMDB apoiaram manifesto criticando a hegemonia do PT no governo.

Uma semana depois, senadores rejeitaram a recondução de Bernardo Figueiredo à diretoria-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Figueiredo era da confiança da presidente Dilma e respondia pela coordenação de projetos importantes como o do trem-bala entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro e a revisão dos tetos tarifários das ferrovias de carga.

A oposição não teria votos suficientes para derrubar a indicação, o que significa que parte dos senadores da base votou contra o governo - a votação foi secreta. Parte da derrota governista é debitada na conta do PMDB.

Braga descartou, entretanto, que os problemas de articulação com a base estejam restritos ao PMDB.

"O que acontece dentro do PMDB não é muito diferente do que acontece em outros partidos. Por isso, nós vamos ter que conversar muito", afirmou, acrescentando que deve "lealdade" à presidente.

Após os sintomáticos movimentos da base, Dilma decidiu promover um "rodízio" nas lideranças no Congresso. Na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) passa o posto a Arlindo Chinaglia (PT-SP). No Senado, Braga assume a liderança do governo, antes ocupada por Romero Jucá (PMDB-RR).

Braga afirmou que pretende reunir-se com líderes de bancada do Senado e já marcou um almoço com o líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL), na quarta-feira. Sem querer desmerecer Jucá, Braga prometeu mudanças na maneira de tratar aliados.

"Não é que as demandas da base não chegavam à Presidência. Às vezes chegavam, às vezes não chegavam, às vezes chegavam de maneira distorcida", comentou ele, dizendo que quer fazer encontros semanais para debater os assuntos da base.

Braga citou como prioridades a resolução do Senado que trata da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre produtos importados.

Para ele, a troca de lideranças e o movimento rebelde da base não irão atrapalhar a tramitação de projeto que cria o fundo de previdência complementar a servidores da União, o chamado Funpresp, tido como prioritário pelo governo.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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