Braga: PR tem de rever ida a oposição para dialogar com governo

O PR precisa rever sua decisão de migrar para a oposição no Senado para retomar o diálogo com o governo, afirmou o líder governista na Casa, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), nesta quinta-feira.

REUTERS

15 Março 2012 | 13h50

De acordo com o líder, o anúncio da migração da sigla para a oposição ao governo Dilma Rousseff o "surpreendeu" e interrompeu um processo de negociação que estava em curso sobre demandas da legenda.

"Não dá para conversar desta forma. O líder do PR (senador Blairo Maggi, MT) sabe que nós estávamos tratando das questões. E nós estamos nos esforçando. Agora, com o clima posto e a posição dos senadores (do PR), eu não tenho autoridade para poder continuar com as tratativas com o governo diante da posição adotada pelos sete senadores", disse Braga a jornalistas.

"É portanto necessário, neste momento, que o PR faça um reavaliação desta posição para que nós possamos retomar qualquer tipo de diálogo", completou.

Na quarta-feira, o líder do PR anunciou que o partido partiria para uma oposição "responsável" por considerar que "as portas estão fechadas" na negociação com o governo sobre um nome para o Ministério dos Transportes.

Braga informou que deve conversar novamente com Maggi, mas ressalvou que as conversas devem ocorrer "sem intimidações, sem ameaças".

A pasta dos Transportes era comandada até o início de julho do ano passado pelo então ministro Alfredo Nascimento, que deixou o posto após uma série de denúncias que também provocaram a saída de vários indicados da sigla de cargos ligados à pasta.

Na época, parlamentares da legenda chegaram a ameaçar deixar a base governista e depois anunciaram que atuariam de forma independente no Congresso.

Desde então, Paulo Sérgio Passos, que é filiado ao PR e era secretário-executivo da pasta, assumiu o ministério. Mas seus correligionários o consideram uma escolha unilateral da presidente, sem consulta ao comando partidário.

O PR tem sete senadores e sua migração para a oposição pode atrapalhar votações importantes ou permitir a abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) na Casa. Hoje, os partidos de oposição não reúnem as 27 assinaturas necessárias para a criação de CPIs.

A nova posição do PR na Casa ocorre em um momento de intensa agitação política, após a decisão de Dilma de trocar os líderes do governo na Câmara e no Senado, alegando ter a intenção de promover um "rodízio" nesses cargos.

A substituição de Romero Jucá (PMDB-RR) por Braga no Senado e de Cândido Vaccarezza (PT-SP) por Arlindo Chinaglia (PT-SP) na Câmara foi feita menos de uma semana depois de Dilma sofrer uma derrota pessoal no Senado, com a rejeição da recondução de Bernardo Figueiredo ao comando da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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