Brancos de respeito no Sul

Já há muito boas opções de Chardonnay feitos no Rio Grande do Sul. Mesmo sendo apenas a quinta uva branca mais plantada na região, já é base dos melhores brancos secos e entra nos melhores espumantes, muitas vezes ao lado da Pinot Noir - a fórmula tradicional do champagne francês. No Rio Grande do Sul, é a Moscatel a uva vinífera mais plantada, seguida por Riesling Itálico, Trebbiano e Sémillon. Veja também: Dal Pizzol Chardonnay 2008 Reserva Miolo Chardonnay 2008 Salton Virtude 2008 Villa Fracioni Chardonnay 2007 A Chardonnay nasceu na Bourgogne, terra dos melhores brancos secos que existem. Deu a volta ao mundo e está presente nos principais países vinícolas. Para isso colaborou muito sua capacidade de adaptação a vários climas e condições. Na França, tem papel mais do que importante no champagne e está se espalhando pelas novas regiões do Sul. Em cada lugar, um estilo de uva Chardonnay. São tantas que é difícil defini-la. Ela não tem características particulares, facilmente identificáveis, como a Sauvignon Blanc ou a Gewürztraminer. O vinho que ela vai gerar depende das técnicas usadas pelo enólogo. Como diz o escritor Oz Clar-ke, o que identificamos como Chardonnay é, na verdade, uma associação da uva com a madeira. Os grandes vinhos da Bourgogne são fermentados nas barricas novas e depois passam bom tempo descansando nas barricas antes de serem engarrafados. Também encontramos Chardonnays feitos com o mesmo capricho nos Estados Unidos, na Austrália, no Chile, na África do Sul e na Argentina. Para passar por esse sistema, o vinho precisa ter uma ótima estrutura para não ser "engolido" pela madeira e virar um "suco de carvalho". Outros sistemas muito mais baratos podem ser usados para dar ao vinho esse "gostinho" macio, doce, de especiarias de que o mercado gosta - colocar tábuas e cavacos de madeira nas cubas. Alguns desses produtos apressados podem ser agradáveis, bem gostosinhos, mas não grandes. Barricas de carvalho são caras. Quem encontrar Chardonnay amadeirado baratinho, deve ficar com a orelha em pé. Não há milagres com vinho. O único foi nas Bodas de Canaã. No Brasil temos Chardonnays bons de várias tendências. Muitos dos que evitam a madeira podem ser refrescantes, gostosos e fáceis de beber.

Saul Galvão,

25 Junho 2009 | 13h12

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