Brancos de respeito no Sul

Já há muito boas opções de Chardonnay feitos no Rio Grande do Sul. Mesmo sendo apenas a quinta uva branca mais plantada na região, já é base dos melhores brancos secos e entra nos melhores espumantes, muitas vezes ao lado da Pinot Noir - a fórmula tradicional do champagne francês. No Rio Grande do Sul, é a Moscatel a uva vinífera mais plantada, seguida por Riesling Itálico, Trebbiano e Sémillon.

saul.galvao@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

25 Junho 2009 | 03h02

A Chardonnay nasceu na Bourgogne, terra dos melhores brancos secos que existem. Deu a volta ao mundo e está presente nos principais países vinícolas. Para isso colaborou muito sua capacidade de adaptação a vários climas e condições. Na França, tem papel mais do que importante no champagne e está se espalhando pelas novas regiões do Sul.

Em cada lugar, um estilo de uva Chardonnay. São tantas que é difícil defini-la. Ela não tem características particulares, facilmente identificáveis, como a Sauvignon Blanc ou a Gewürztraminer. O vinho que ela vai gerar depende das técnicas usadas pelo enólogo.

Como diz o escritor Oz Clar-ke, o que identificamos como Chardonnay é, na verdade, uma associação da uva com a madeira. Os grandes vinhos da Bourgogne são fermentados nas barricas novas e depois passam bom tempo descansando nas barricas antes de serem engarrafados. Também encontramos Chardonnays feitos com o mesmo capricho nos Estados Unidos, na Austrália, no Chile, na África do Sul e na Argentina. Para passar por esse sistema, o vinho precisa ter uma ótima estrutura para não ser "engolido" pela madeira e virar um "suco de carvalho". Outros sistemas muito mais baratos podem ser usados para dar ao vinho esse "gostinho" macio, doce, de especiarias de que o mercado gosta - colocar tábuas e cavacos de madeira nas cubas. Alguns desses produtos apressados podem ser agradáveis, bem gostosinhos, mas não grandes.

Barricas de carvalho são caras. Quem encontrar Chardonnay amadeirado baratinho, deve ficar com a orelha em pé. Não há milagres com vinho. O único foi nas Bodas de Canaã.

No Brasil temos Chardonnays bons de várias tendências. Muitos dos que evitam a madeira podem ser refrescantes, gostosos e fáceis de beber.

DAL PIZZOL CHARDONNAY 2008

ONDE ENCONTRAR: SAIN VIN SAINT, TEL. 3846-0384

PREÇO: R$ 32,63

COTAÇÃO: 86/100 PONTOS

Um vinho gostoso, leve, boa alternativa para quem quiser um vinho refrescante para bebericar despreocupadamente. Totalmente vinificado em cubas de aço inoxidável. Sem o menor contato com carvalho. Bem clarinho. Aroma fresco, porém não muito intenso. Frutas cítricas e maçã verde. Sem madeira, a Chardonnay não costuma ser muito aromática. Bastante equilibrado na boca. Ótima acidez, refrescante. Pode acompanhar vários pratos, mas fica melhor quando acompanha um bom papo entre amigos. Não é encorpado, mas equilibrado e fresco. Para aproveitar o restinho de calor. Principalmente fresco e delicado. Com 12% de álcool.

RESERVA MIOLO CHARDONNAY 2008

ONDE ENCONTRAR: CASA SANTA LUZIA, TEL. 3897-5000

PREÇO: R$ 34,60

COTAÇÃO: 88/100 PONTOS

Vem mantendo a qualidade há um bom tempo. Ótima relação qualidade-preço. O produtor conseguiu um toque muito agradável de carvalho norte-americano, que costuma evocar especiarias, especificamente baunilha, mas mantendo frescor e a fruta. "Doce", macio, mas nem de longe enjoativo. Vinte por cento passam pelas barricas. Ótima acidez. No aroma, frutas tropicais como abacaxi e sugestões cítricas. Equilibrado na boca, gostoso. Não é dos mais encorpados, mas tem boa concentração de sabor. Pode ser bebido sozinho ou com peixes e frutos do mar. Um branco refrescante e longo, que deixa a boca gostosa e "limpa". Pronto. 13% de álcool.

SALTON VIRTUDE 2008

ONDE ENCONTRAR: SALTON, TEL. 2281-3474

PREÇO: R$ 45

COTAÇÃO: 90/100 PONTOS

É bem provável que Angelo Salton tenha projetado esse vinho para demonstrar até onde poderia chegar, na atualidade, com seus vinhos brancos. Um vinho produzido em escala pequena, lançado só agora. No mesmo nível dos tintos Salton Desejo e Salton Talento. Até agora, o melhor branco nacional que bebi. Um vinho clarinho, com reflexos verdes, o que não é tão comum em um branco que passa 12 meses na barrica (metade de carvalho americano e metade em carvalho francês). Na boca ganha complexidade, com aspectos cítricos e algo floral. Refrescante, equilibrado e longo, deixando na boca sensação de frescor. Com 13,5% de álcool.

VILLA FRANCIONI CHARDONNAY 2007

ONDE ENCONTRAR: CASA DO PORTO, TEL. 3061-3003

PREÇO: R$ 69

COTAÇÃO: 88/100 PONTOS

Um vinho caprichadíssimo, feito numa vinícola especial, muito bem equipada, em São Joaquim, o lugar mais frio do Brasil. Vale a pena uma visita às terras altas e frias de Santa Catarina para conhecer a nova região. Para quem gosta de brancos com madeira. Na minha opinião, madeira demais. O vinho passou 11 meses em barricas novas de carvalho francês, que domina o aroma, encobrindo as frutas e demais características. Produção limitada e cara. Melhor na boca, onde a madeira se integrou melhor. Frutas tropicais e corpo (de novo a madeira). Boa acidez, nada enjoativo. Deixa sensação gostosa na boca. Equilibrado. 13% de álcool.

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