Brasil admite que vírus da gripe suína já circula livremente no país

Doença foi diagnosticada em pessoa que não viajou ou teve contato com alguém que tenha ido ao exterior.

Fabrícia Peixoto, BBC

16 Julho 2009 | 18h42

O Ministério da Saúde confirmou, nesta quinta-feira, que o vírus da gripe suína já circula livremente no Brasil.

A constatação foi feita após a doença ter sido diagnosticada em uma pessoa que não viajou ao exterior e tampouco teve contato com alguém que tenha viajado. O paciente mora no Estado de São Paulo.

Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, "há evidências" de que o vírus também circule pelo estado do Rio Grande do Sul.

Com isso, o Brasil entra para o grupo de países onde a transmissão é considerada sustentada. Além do Brasil, fazem parte da lista os Estados Unidos, México, Canadá, Reino Unido, Argentina, Chile e Austrália.

Estratégia

De acordo com Temporão, essa mudança de patamar da situação brasileira não afeta a estratégia de combate à doença no país.

"A avaliação do governo demonstra o acerto da estratégia e das medidas tomadas", disse Temporão. Segundo ele, o Brasil tem se "antecipado" às recomendações da Organização Mundial da Saúde.

No dia 26 de junho, o governo brasileiro anunciou mudanças de enfoque no combate à doença, restringindo os exames de diagnóstico da gripe suína apenas aos casos mais graves.

Segundo o ministro, a medida – que atende a uma recomendação da OMS – foi "mal entendida".

"O tratamento independe do diagnóstico. Ou seja, as pessoas que tiverem todos os sintomas serão tratadas, mesmo que não tenham feito o exame", disse o ministro.

O ministério confirmou nesta quinta-feira mais três mortes em conseqüência da gripe suína, elevando para 11 o número de óbitos. Dessas pessoas, quatro tinham alguma complicação clínica prévia, mas Temporão disse que "é cedo" para estabelecer qualquer tendência.

O Brasil tem ainda 1.175 casos da doença notificados.

Vacina

A vacina para a gripe suína, que está sendo desenvolvida pelos principais laboratórios, ainda é uma "interrogação", disse Reinaldo Guimarães, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.

Segundo ele, ainda não se sabe se as fábricas ligadas a esses laboratórios terão capacidade de atender à demanda pela vacina. Estima-se que, em um cenário pessimista, 2 bilhões de pessoas serão infectadas em todo o mundo.

"Em um cenário pessimista não haverá vacina para todos", diz o secretário.

Guimarães disse ainda que a vacina está sendo produzida para "uma segunda onda da doença".

"O rendimento (de produção) também está abaixo do observado tradicionalmente para a vacina contra a gripe comum. Isso influi no prazo de desenvolvimento da vacina", disse o secretário. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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