Brasil ainda não recebeu proposta da UE sobre bônus, diz fonte

O Brasil ainda não recebeu oficialmente qualquer proposta da União Europeia para oferecer maior garantia aos bônus dos países da zona do euro por meio de um instrumento de propósito específico e ainda estuda a proposta que fará na próxima semana para colaborar para uma solução da crise global na reunião do G20, disse à Reuters nesta segunda-feira uma fonte do governo.

JEFERSON RIBEIRO, REUTERS

24 de outubro de 2011 | 22h20

Segundo esse auxiliar da gestão de Dilma Rousseff, que pediu para não ter seu nome revelado, as condições de ajuda a serem ofertadas pelo governo brasileiro serão finalizadas ao longo desta semana.

Autoridades da União Europeia afirmaram, após uma reunião de cúpula no domingo, que o poder de fogo do instrumento de propósito específico seria alimentado por recursos da China ou do Brasil.

Uma autoridade indicou que o instrumento de propósito especial poderia ser ligado ao próprio Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, na sigla em inglês), enquanto outros disseram que envolveria o Fundo Monetário Internacional (FMI).

As opções terão de ser reduzidas por uma outra cúpula na quarta-feira. Mas as conclusões da reunião de domingo citavam o FMI como possível parceiro.

Por determinação de Dilma, qualquer ajuda que passe por um novo aporte financeiro ao FMI está condicionado ao aumento do seu poder dentro do organismo internacional.

"Os países emergentes podem ser chamados a contribuir ampliando o capital do Fundo, mas para fazer isso exigem uma ampliação das cotas e, portanto, da participação na direção do Fundo", disse a presidente há duas semanas a jornalistas.

Na semana passada, o secretario de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda brasileiro, Carlos Márcio Cozendey, afirmou que o melhor caminho para enfrentar a turbulência econômica da zona do euro seria a formalização de acordos bilaterais entre os países em dificuldades financeiras e o FMI.

"Os acordos bilaterais injetariam dinheiro de maneira mais ágil", disse Cozendey. Para ele, esse mecanismo teria a vantagem de sinalizar aos mercados financeiros que os países estão dispostos a soluções rápidas para a crise na zona do euro.

O Brasil também exige, nesse caso, que o acordo firmado no ano passado seja cumprido na integralidade e sem adiamentos. O país ajudou a capitalizar o Fundo em 14 bilhões de dólares e aguarda para aumentar o seu poder de decisão dentro do organismo multilateral.

Nesta segunda-feira, Dilma conversou por telefone com o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, e voltou a demonstrar preocupação com "as indefinições que ainda persistem na Europa quanto ao tratamento da dívida soberana grega, o risco de contágio e a necessidade de uma saída urgente", afirmou o porta-voz da Presidência, Rodrigo Baena.

Na próxima quinta-feira, Dilma recebe o primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, e segundo a fonte do governo, é provável que os dois mandatários conversem sobre possíveis mecanismos de ajuda à nação europeia.

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