Brasil ajudará Bolívia na crise aumentando intercâmbio comercial

O Brasil pretende ajudar a Bolívia a enfrentar a crise financeira global aumentando o intercâmbio comercial bilateral, sem acabar com o atual superávit do país vizinho, afirmou na quinta-feira o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

REUTERS

12 de março de 2009 | 17h40

Segundo o Itamaraty, as exportações brasileiras para a Bolívia somaram 1,14 bilhão de dólares em 2008. Já as exportações da Bolívia para o Brasil totalizaram 2,85 bilhões de dólares. O resultado é proveniente, em grande parte, pela importação do gás natural boliviano.

"No ano passado, por exemplo, a Bolívia foi o único país da América do Sul com o qual o Brasil teve déficit, o que é normal", disse o chanceler brasileiro a jornalistas. "Você também não pode querer ter superávit com todo mundo. Tem superávit com um, déficit com outro, nós nem queremos mudar isso", acrescentou.

Amorim disse que o Brasil tentará acelerar as importações de produtos têxteis da Bolívia, cujas vendas aos Estados Unidos foram prejudicadas pela suspensão de benefícios comerciais pelo governo norte-americano por causa da suposta falta de cooperação do país andino na luta contra o tráfico de cocaína. A ajuda havia sido anunciada pelo Mercosul em dezembro, mas até agora não foi implementada.

Segundo Amorim, a demora foi causada devido às diferenças entre os países que integram o bloco e por motivos burocráticos.

"A nossa preferência é agir de maneira comum, mas, se for necessário que haja uma ação diferenciada, haverá. Creio que em poucos dias, no curso deste mês, isso estará resolvido", disse.

As declarações foram feitas durante entrevista coletiva concedida em conjunto com o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, que demonstrou preocupação com a queda dos preços do gás natural no mercado internacional.

Para o ministro, o assunto deve ser tratado no âmbito regional. Amorim evitou falar sobre o tema. A Bolívia é responsável por fornecer metade do gás consumido no Brasil, que importa 30 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

O chanceler boliviano disse ainda que o país necessita construir alianças, não somente com o Brasil, mas com todos os países produtores e não-produtores de gás.

Os dois chanceleres assinaram atos de cooperação na área de saúde e para avançar na construção de uma ponte entre os dois países. Durante reunião privada, falaram também sobre as usinas hidrelétricas do Rio Madeira. O governo boliviano teme que as obras causem danos ambientais ao seu país, o que é negado pelo Brasil.

"Há preocupações bolivianas sobre eventuais impactos. Temos obviamente a posição de que é perfeitamente possível e que serão feitas essas hidrelétricas sem nenhum prejuízo, mas queremos que a Bolívia se sinta à vontade e segura", afirmou Amorim.

(Reportagem de Fernando Exman)

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