Brasil aprova envio de 1,3 mil soldados

Do reforço solicitado pela ONU, 900 militares embarcarão agora e 400 ficarão de prontidão caso haja necessidade

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

O Congresso aprovou ontem, em votação simbólica, o envio de até 1.300 militares brasileiros para o Haiti - 900 agora e outros 400 caso haja necessidade. O pedido do aumento da tropa foi encaminhado aos parlamentares pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 20, oito dias depois do terremoto que devastou o Haiti. A medida é uma resposta a um apelo feito pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O reforço no contingente brasileiro na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) foi aprovado pela comissão representativa da Câmara e do Senado, convocada em caráter emergencial durante o recesso parlamentar. As férias de deputados e senadores terminam na semana que vem, no dia.

Dos 900 militares que têm o embarque confirmado, 750 são de batalhão de infantaria e 150 da Polícia do Exército (PE). Hoje, o Brasil já tem 1.300 militares no Haiti.

Dos cerca de 30 deputados e senadores que apareceram ontem no Congresso, apenas o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) posicionou-se contra o aumento do número de militares no Haiti. "Estou vendo meus irmãos morrendo aqui no Brasil sem uma palavra a favor deles. Está todo mundo assistindo, diariamente, que é a situação da Haiti e não a situação do Brasil. Sou contra porque o Haiti é aqui", disse Cafeteira.

Mal chegou ontem ao Congresso, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), saiu em defesa do aumento do contingente de tropas brasileiras no Haiti. Antes mesmo de a sessão começar, Sarney argumentou que o Brasil tem de "pagar o preço pela sua grandeza".

"O Brasil, sendo o maior país da América do Sul, pelo peso da sua grandeza, tem o custo e isso nós devemos pagar. Para as Forças Armadas é muito importante que tenhamos também participação internacional em favor da paz do mundo inteiro", argumentou.

Sarney lembrou ainda que o momento é de solidariedade com o povo haitiano para a reconstrução do país. "Não devemos discutir questão de liderança, devemos fazer uma ação completa da nossa parte, do mundo inteiro, de solidariedade. Vamos elogiar os Estados Unidos. Que eles tenham mais recursos, estejam mais perto e tenham condições de chegar mais rápido", disse Sarney.

LUTO

Na sessão de ontem, a comissão representativa também aprovou voto de pesar pela morte de Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, do chefe adjunto civil da missão da ONU no Haiti, Luiz Carlos da Costa, e de 18 militares brasileiros. Todos eles morreram durante o terremoto que atingiu o Haiti no dia 12 e deixou mais de 150 mil mortos, segundo o governo.

Ontem, o presidente equatoriano, Rafael Correa, anunciou que planeja visitar Porto Príncipe na quinta-feira, na qualidade de presidente pro-tempore da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Correa disse vai acompanhado de sua ministra da Saúde e de um grupo de médicos equatorianos.

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