Brasil começa a produzir droga contra câncer

Pela primeira vez, o Brasil passa a produzir um medicamento para o tratamento contra o câncer. O Sistema Único de Saúde (SUS) recebeu ontem o primeiro lote nacional do mesilato de imatinibe, genérico indicado para o tratamento de leucemia mieloide crônica e de estroma gastrointestinal (tumor maligno no intestino). A produção será feita pelos laboratórios públicos Instituto de Tecnologia em Fármacos/Farmanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e Instituto Vital Brazil, da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com cinco empresas privadas.

HELOISA ARUTH STURM / RIO , O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h08

"O Brasil só tem condições de produzir um remédio como esse e atrair o investimento de empresas nacionais porque, com todo o esforço do povo brasileiro, nós somos o único país com mais de 100 milhões de habitantes que busca garantir atendimento público, universal e gratuito para toda a sua população", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em entrevista no Palácio da Guanabara.

O acordo prevê a transferência de tecnologia para fabricação e distribuição do medicamento pelos próximos cinco anos. Para esse período, o Ministério da Saúde estima que a iniciativa gerará uma economia de R$ 337 milhões ao SUS. Segundo cálculos do ministério, o custo de cada caixa com 30 comprimidos cairá dos atuais R$ 618 (100 mg) e R$ 2.472 (400mg) para R$ 525 e R$ 2.100 - uma variação de 15%.

A medida beneficiará cerca de 8 mil pessoas. A previsão é de que em 2013 sejam entregues ao SUS cerca de 4 milhões de comprimidos do medicamento. Sem estipular um prazo, Padilha espera que os medicamentos sejam exportados em breve. "O Ministério da Saúde vai investir R$ 140 milhões por ano para produção e compra, mas queremos que esse medicamento possa ocupar também as prateleiras dos hospitais de outros países", declarou.

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