Brasil critica postura comercial 'injusta' dos EUA

Os Estados Unidos estão sendo"injustos, não-razoáveis e irracionais" com relação àsnegociações comerciais globais, disse nesta quarta-feira osubsecretário-geral do Itamaraty, Roberto Azevedo. Reagindo às acusações dos EUA de que as exigências dospaíses em desenvolvimento iriam inviabilizar a conclusão darodada de Doha, Azevedo disse que os países mais pobres estãosendo encurralados nas negociações que já duram quase seisanos. O diplomata afirmou que Washington e seus aliados ricostentam forçar o mundo em desenvolvimento a aceitar cortestarifários em bens industriais, como propôs um mediador da OMCem julho, mas ao mesmo tempo obstruem propostas paralelas paraa redução de subsídios e tarifas agrícolas. "Os EUA, a União Européia e outros países desenvolvidosestão selecionado e escolhendo as provisões do texto agrícolacom as quais podem conviver. Por outro lado, estão pedindo aospaíses em desenvolvimento que assumam o texto [sobre bensindustriais] como 'pegar ou largar', o que é francamenteinjusto, não-razoável e irracional," disse ele a jornalistas emGenebra. "Posso imaginar que o que eles estão tentando fazer éessencialmente colocar a culpa nos ombros dos outros se arodada não for adiante," acrescentou. Os Estados Unidos sinalizaram em setembro que estãodispostos a aceitar os cortes agrícolas sugeridos em julho pelaOMC. Mas Azevedo disse que ainda não está claro até que ponto ospaíses desenvolvidos estão dispostos a cortar subsídios etarifas que dificultam o acesso de agricultores pobres aosmercados dos países ricos. "Com o nível de incerteza, com o nível de ambigüidade quetemos na agricultura hoje, é impossível dizermos se podemosviver com o que está no texto [sobre produtos industriais],"afirmou. Potências em desenvolvimento, como Brasil e Argentina,buscam maior acesso para as exportações de alimentos em trocade expor seus setores industriais a mais competição sob asregras da Rodada Doha, que atingira também o setor de serviços. Muitos temem que a abertura industrial rápida demais ameaceos setores industriais desses países e provoque desemprego. Em nota divulgada na terça-feira, os EUA disseram que arelutância dos países em desenvolvimento em aceitar as reduçõestarifárias propostas pela OMC em julho "podem sinalizar o fimda Rodada Doha." Azevedo disse, entretanto, que o Brasil está disposto acontinuar pressionando por um consenso entre os 151 países daOrganização Mundial do Comércio. "Ainda estamos otimistas. Ainda estamos tentando trabalhar.Estamos tentando negociar dentro de fronteiras razoáveis,"afirmou. "Estamos prontos a negociar em todas as frentes, emtodas as áreas, todo o tempo, até o fim."

LAURA MACINNIS, REUTERS

10 de outubro de 2007 | 19h42

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