Brasil deve fazer nova emissão externa nas próximas semanas--Augustin

O governo brasileiro deve fazer uma nova emissão externa de dívida nas próximas semanas, informou nesta quinta-feira o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

Reuters

21 de fevereiro de 2013 | 17h20

Segundo o secretário, estão previstas emissões externas em dólares e em reais, com o objetivo de abrir caminho para reduzir custos ao setor privado.

"Esperamos continuar melhorando a curva de juros nas emissões externas permitindo que o financiamento da atividade econômica brasileira --particularmente empresas de exportação e comércio internacional-- seja feito com outras fontes", disse Augustin, ao comentar o Plano Anual de Financiamento (PAF).

Ele também não descartou fazer emissões com títulos com prazos diferentes dos de 10 anos e 30 anos que têm sido utilizados. Em novembro, o secretário havia dito que era possível o Brasil fazer nova emissão externa ainda no ano passado.

Em 2012, o Tesouro fez três emissões externas. Na última foram lançados bônus Global com vencimento em 2023 no valor de 1,35 bilhão de dólares, pagando rendimento de 2,686 por cento ao ano, o menor da história das captações externas brasileiras.

A primeira emissão de 2012 ocorreu em 3 de janeiro, com o lançamento de 825 milhões de dólares em bônus Global com vencimento em 2021, com rendimento de 3,449 por cento ao ano. Em abril, o Tesouro emitiu 3,15 bilhões de reais em papel com vencimento em 2024 e rendimento de 8,6 por cento ao ano.

"Há espaço para o Brasil ter uma curva de juros melhor nas emissões de dívida externa", afirmou Augustin.

PRIMÁRIO

O secretário aproveitou para adiantar que o governo central --formado pelo próprio Tesouro mais Previdência Social e Banco Central-- deve divulgar na próxima terça-feira um bom superávit primário do governo central em janeiro.

"A expectativa é anunciar um bom resultado fiscal. Chegarei muito bem humorado", disse.

A meta cheia de superávit primário do setor público consolidado --formado por governo federal, Estados e municípios-- é de 155,9 bilhões de reais, dos quais 108,09 bilhões de reais somente do governo central.

O governo enviou ao Congresso projeto para alterar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) elevando o teto do abatimento para 65 bilhões de reais, contra 45 bilhões de reais anteriormente estipulados. A proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

No ano passado, o governo central não conseguiu cumprir a meta cheia, tendo de descontar 10,5 bilhões de reais referente a investimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O resultado primário do governo central em 2012 só não foi pior porque, em dezembro, o Tesouro fez uma engenharia financeira para gerar superávit de 28,324 bilhões de reais, recorde mensal.

(Reportagem de Tiago Pariz)

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