Brasil deve receber mais doses de vacina contra gripe

Enquanto a demanda pela vacina contra influenza continua alta nas clínicas particulares, o País inteiro deve receber mais 100 mil doses este ano. A informação é do o médico Ricardo Cunha, responsável pelo setor de vacinas do laboratório Delboni. Ele acrescenta que, em muitas dessas unidades, não há mais imunizantes disponíveis.

MARIANA LENHARO, Agência Estado

20 de julho de 2012 | 09h31

Um dos laboratórios que fornece a imunização para o mercado privado brasileiro, a GlaxoSmithKline, informou que já distribuiu no País toda a quantidade que havia sido encomendada para o ano, o que totaliza mais de 1 milhão de doses.

"Neste ano houve um aumento significativo da demanda do mercado privado, além das necessidades habituais, e, por causa disso, a vacina da GSK possivelmente encontra-se indisponível em alguns locais", disse a farmacêutica, em nota.

Quem garante a entrega das 100 mil doses para os centros privados nos próximos dias é o laboratório Sanofi Pasteur, que deve priorizar as regiões com maior incidência da gripe suína. A empresa afirma que aumentou em 30% o volume inicialmente previsto por causa da alta demanda.

Cunha observa que a corrida pela vacina começou há um mês, quando os casos de gripe passaram a ser divulgados. "As pessoas se sensibilizam pelo risco", diz. Por outro lado, Estados como São Paulo e Rio de Janeiro não atingiram a meta de imunizar 80% da população de risco na campanha de vacinação, que terminou em 1.º de junho.

Para a médica Rosana Richtmann, presidente da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI), durante a campanha as pessoas não estavam convencidas da necessidade de se vacinar. "É preciso entender a importância da prevenção. Não adianta sair correndo enquanto aos casos estão ocorrendo." O ideal seria ter se vacinado em abril ou maio.

O diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, David Uip, observa que o organismo começa a produzir anticorpos cerca de duas semanas após a imunização. "Quando o indivíduo toma na época em que há grande circulação do vírus e os sintomas começam logo em seguida, ele pode achar que a vacina não funciona ou que ela levou à gripe."

Pico

Na percepção de alguns infectologistas, o pico de casos de gripe já foi atingido. "A impressão é que o número de casos está diminuindo", diz Uip. A infectologista Michelle Zicker, do Hospital Beneficência Portuguesa, concorda. "Estamos observando, nas duas últimas semanas, menos procura no pronto-socorro, menos suspeitas e menos solicitação de exames."

Apesar disso, quem ainda não foi vacinado ainda pode se beneficiar da imunização, de acordo com o médico Ícaro Boszczowski, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. "Se considerarmos que os casos se concentram até agosto, a pessoa ainda vai estar se protegendo em uma fase de grande transmissão de vírus."

Para quem não tomou a vacina, continuam valendo as medidas de prevenção amplamente divulgadas na pandemia de 2009. A infectologista Sumire Sakabe, do Hospital 9 de Julho, lembra que é preciso conter as secreções de espirros e tosses com um lenço descartável e lavar as mãos com frequência. "É importante lembrar que nenhuma vacina oferece 100% de segurança. Mesmo quem tomou, deve adotar as medidas de prevenção." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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