Brasil é 16.º na lista de países com mais casos de tuberculose

Estados que registram maior incidência são Amazonas, Rio e Mato Grosso. Em 2012, 4.406 mortes aconteceram em decorrência da doença

Lígia Formenti, Agência Estado

24 Março 2014 | 12h08

BRASÍLIA - O Brasil ocupa o 16.º lugar no ranking de países campeões em casos de tuberculose. No ano passado foram registradas 71.123 novas infecções, com coeficiente de incidência de 35, 4 pacientes para cada 100 mil habitantes. O Amazonas é o Estado que registra maior taxa do País: 70,6 casos por 100 mil habitantes, seguido pelo Rio (com 61,7 casos por 100 mil) e Mato Grosso (50, 6 pacientes por 100 mil). Em 2012 foram 4.406 mortes, o que representa uma taxa de 2,3 óbitos por 100 mil.

Para tentar reduzir essa marca, o governo distribui a partir desta semana 50 equipamentos de teste rápido. Pelo teste é possível saber se o paciente tem ou não a doença em duas horas. Além disso, o resultado aponta, em caso de resultado positivo, se o bacilo causador da doença é ou não resistente ao antibiótico usado no tratamento, a rifampicina. A vantagem do teste, de acordo com o Ministério da Saúde, é garantir maior rapidez no diagnóstico, início precoce da terapia - algo que, além de melhorar o prognóstico do paciente, evita novas contaminações. Com a tecnologia atual, o paciente precisa aguardar, pelo menos, 30 dias.

Até maio, todos os Estados deverão receber o aparelho. Os primeiros a receber serão Amazonas, Pernambuco, Rio, Rio Grande do Sul e São Paulo, além do Distrito Federal. Os números apresentados pelo Ministério da Saúde são piores que os registrados em 2012. Naquele ano, foram contabilizados 70.047 pacientes novos com tuberculose. O lugar no ranking das nações consideradas de alta carga também piorou. Ano passado, o País ocupava a 17ª posição.

O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, atribuiu o aumento do número de casos no período à melhoria no diagnóstico. Para ele, a posição do Brasil no ranking de países com maior número de casos deve ser relativizada. "Quando falamos em números de casos em geral, o País sempre vai figurar nas primeiras posições. Seja em tuberculose, seja em outras áreas, por causa da própria dimensão do Brasil", disse. De acordo com ele, o principal a ser observado é o coeficiente de casos, a taxa proporcional ao número de habitantes.

Apesar do crescimento registrado no período 2012-2013, os números gerais de tuberculose tiveram uma queda significativa na década. Entre 2003 e 2013 o Brasil apresentou redução de 20,3% na taxa de incidência da doença. Em 2003, foram contabilizados 44,4 casos novos por 100 mil habitantes. Barbosa afirma que a epidemia está concentrada em alguns Estados e diz acreditar que, em cinco anos, o Brasil possa entrar no estágio de pré-eliminação da doença, algo obtido quando a taxa de mortalidade é inferior a um caso a cada 100 mil habitantes.

Além do teste rápido, que será distribuído a 127 laboratórios, Barbosa disse que até o próximo semestre duas novas drogas deverão ser incorporadas pelo SUS para o tratamento de casos de pacientes com a forma resistente da doença. As substâncias bedaquilina e delaminida foram aprovadas recentemente nos Estados Unidos e na União Europeia, respectivamente e aguardam uma avaliação na Agência de Vigilância Sanitária brasileira (Anvisa).

Sintomas. O principal sintoma da tuberculose é a tosse por mais de três semanas. O tratamento dura seis meses. Um dos grandes desafios do governo é garantir que os pacientes sigam a terapia até o fim. Uma das estratégias estudadas pelo governo é conceder ao paciente um acréscimo de R$ 30 no Bolsa Família. Um estudo feito em 2011 mostra que boa parte dos pacientes com a doença têm o perfil de beneficiários do programa.

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