Brasil é o 5º país em redução do uso de CFC

China e EUA lideram esforços de eliminação do gás

Ricardo Westin, do Estadão,

19 de setembro de 2007 | 06h13

No mundo, o Brasil é o quinto país que mais reduziu o uso do clorofluorcarbono (CFC), o gás que mais destrói a camada de ozônio. Entre 1995 e 2005, deixou de lançar na atmosfera 9,9 mil toneladas de CFC, segundo um estudo divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Ficou atrás apenas de China (62,1 mil toneladas), EUA (34 mil), Japão (23 mil) e Rússia (20,6 mil). A redução gradual do CFC, até a eliminação, foi determinada pelo Protocolo de Montreal. Ao longo desta semana, exatamente 20 anos depois da assinatura do mais bem-sucedido acordo internacional em favor do meio ambiente, perto de 200 países, incluindo o Brasil, estão reunidos novamente no Canadá para discutir novas maneiras de proteger a camada de ozônio. A camada de ozônio é uma espécie de membrana que protege a Terra contra os raios solares ultravioleta, que provocam câncer de pele e catarata. O CFC, até pouco tempo atrás presente em geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e sprays, está controlado. Segundo o Protocolo de Montreal, chegará ao fim em 2010. O Brasil se antecipou às metas acordadas. As geladeiras com "tecnologia suja" deixaram de ser produzidas em 1999. No início deste ano, ficou proibida a importação do CFC. O gás que continua nas geladeiras antigas deve ser reciclado. Técnicos em refrigeração estão sendo treinados para isso. O Brasil receberá nesta semana, das Nações Unidas, um prêmio pelos esforços. O gás foi substituído pelo hidroclorofluorcarbono (HCFC), que é o atual vilão da camada de ozônio, apesar de seu poder de destruição ser muitíssimo menor que o do antecessor. O HCFC preocupa mais por ser um gás do efeito estufa - ajuda no aquecimento da Terra. Pelo Protocolo de Montreal, deverá estar abolido em 2040. Os países reunidos no Canadá buscam formas de acelerar o fim do HCFC. "A questão da camada de ozônio já está equacionada. O que estamos buscando agora é aumentar a proteção da camada de ozônio e, paralelamente, tratar da questão do clima", explica Thelma Krug, secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente do Brasil. No encontro no Canadá, o Brasil e a Argentina apresentaram juntos a proposta de antecipar o fim do HCFC para 2030, com usos eventuais permitidos até 2040. Chama a atenção o fato de EUA e China terem obtido sucesso em reduzir tanto o CFC, mas resistirem a diminuir suas emissões de gases do efeito estufa. Isso se explica, entre outras razões, pelo fato de a eliminação do CFC envolver apenas uma adaptação de parte da indústria. No caso do aquecimento global, exigem-se mudanças drásticas em grande parte do parque industrial, na frota de veículos e na própria fonte de energia - os dois países são dependentes dos altamente poluidores combustíveis fósseis.  

Tudo o que sabemos sobre:
CFCreduçãoaquecimento global

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.