Brasil enviará ajuda para combater apagões

Grupo de especialistas tentará amenizar crise energética

Gerusa Marques, O Estadao de S.Paulo

30 de janeiro de 2010 | 00h00

O governo brasileiro dará suporte técnico para a Venezuela tentar reduzir os seus problemas de falta de energia elétrica. A ideia é enviar um grupo de especialistas brasileiros para ajudar o governo de Hugo Chávez a implementar medidas para melhorar o aproveitamento do potencial de produção de energia venezuelano.

Diante da falta de chuvas e do baixo nível dos reservatórios das suas hidrelétricas, a Venezuela vem adotando desde o fim do ano passado uma política de racionamento, que afetou até o Estado de Roraima (importador de energia do país vizinho).

O auxílio do governo brasileiro foi acertado na quinta-feira, em Caracas, durante uma visita do assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, e do secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.

O trabalho técnico deve começar nos próximos dias, com a chegada de uma comitiva venezuelana a Brasília para expor os principais problemas que atingem o sistema elétrico do país.

Depois dessa reunião, o Brasil enviará à Venezuela especialistas do setor elétrico (de estatais brasileiras da área de geração de energia) para auxiliar o país vizinho na implementação de medidas emergenciais que aumentem a eficiência de sua produção de energia.

O objetivo é aproveitar a experiência brasileira na administração de grandes hidrelétricas, como Itaipu e Tucuruí, e no enfrentamento de crises, como a do racionamento, provocada pelo apagão de 2001.

O foco do projeto será a hidrelétrica de Guri, a terceira maior do mundo, construída no rio Caroní (na bacia do rio Orinoco), com capacidade para produzir 10 mil megawatts (MW).

Essa usina é abastecida pela represa de Guri, localizada no Estado de Bolívar e responsável por alimentar outras duas hidrelétricas: Caruachi e Macagua. Juntas, as três geram 73% da energia da Venezuela.

Os técnicos trabalharão para que essas usinas aproveitem o máximo possível de suas capacidades de geração de energia, considerando o baixo nível do reservatório de água que as alimenta.

No encontro falou-se também sobre o abastecimento energético de Roraima, que ficou prejudicado com o racionamento venezuelano. Roraima vinha recebendo uma carga de 100 MW da Venezuela. Depois do racionamento, passou a contar apenas com 80 MW.

TERMELÉTRICAS

Os cortes na exportação de energia venezuelana levaram o Brasil a reativar a usina termelétrica Floresta, em Boa Vista. A térmica é movida a óleo diesel e tem capacidade para gerar 47 MW.

Técnicos brasileiros estudam a possibilidade de acionar outra térmica no Estado. E também pode haver uma inversão nos papéis de fornecedor e importador, com o Brasil assumindo o envio de energia para a Venezuela, a partir de térmicas emergenciais que receberiam óleo fornecido pelos venezuelanos. O projeto, porém, ainda está sendo estudado.

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