Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Brasil está à frente dos EUA em novo índice de 'capital natural'

Cálculo feito pelo Pnuma, braço ambiental da ONU, associa PIB, indicadores sociais e recursos naturais

Simone Iwasso - O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h02

RIO - Em ranking baseado num novo cálculo que associa riqueza dos países com uso dos recursos naturais divulgado no domingo, 17, pelo Pnuma, braço ambiental da ONU, o Brasil aparece atrás da China e na frente de países como Estados Unidos e Canadá.

O resultado, porém, não indica um cenário nada otimista para a maioria dos países avaliados - China, Estados Unidos, África do Sul e Brasil aparecem como tendo esgotado significativamente seu capital base natural, termo usado para o conjunto de recursos renováveis e não renováveis, como combustíveis fósseis, florestas e pesca.

A proposta, batizada de Índice de Riqueza Inclusiva (IRI), se propõe a integrar aspectos sociais e ambientais ao desempenho econômico das nações, se apresentando como um indicador a princípio mais completo do que o Produto Interno Bruto (PIB) e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medidas usadas para quantificar riqueza e desenvolvimento dos países.

O indicador foi apresentado ontem na Rio+20 como sugestão para mudar a maneira como o mundo mede suas riquezas, e a expectativa é de que, com o tempo, ele seja incorporado pelos países. O Pnuma pretende divulgar o IRI a cada dois anos.

Perdas. O relatório observou as mudanças em 20 países, que juntos representam quase três quartos do PIB mundial, de 1990 a 2008. Durante o período, os recursos naturais per capita diminuíram em 33% na África do Sul, 25% no Brasil, 20% nos Estados Unidos e 17% na China.

No Brasil, o período coincidiu com um momento de avanço do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, com a expansão do gado e da soja.

Das 20 nações pesquisadas pelo relatório, somente o Japão não sofreu diminuição do capital natural, por causa do aumento da cobertura florestal.

"A Rio+20 é uma oportunidade para abandonar o PIB como medida de prosperidade no século 21. Ele não serve para medir o bem-estar humano, ou seja, as questões sociais e a situação dos recursos naturais de uma nação", disse o diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner.

Ele afirmou esperar que líderes mundiais olhem para esse indicador, levando-o para seus ministérios de desenvolvimento e planejamento como um parâmetro válido na definição de políticas públicas.

Para o professor Anantha Duraiappah, diretor do relatório, a proposta "representa o primeiro passo fundamental na mudança do paradigma econômico global, forçando os países a reavaliar suas necessidades e objetivos". Ele ressalta que o cálculo é feito de forma bastante complexa, utilizando dados ambientais, sociais e econômicos dos países.

Sugestões. O relatório traz também várias sugestões para os países melhorarem seu Índice de Riqueza Inclusiva - uma das principais recomendações, válida para todos, é o investimento em reflorestamento, biodiversidade e diversidade agrícola.

O texto também diz que governos e organizações internacionais devem estabelecer programas de pesquisa para calcular os principais componentes do capital natural, particularmente ecossistemas. Cada país deve mapear e conhecer sua própria geografia natural.

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