Brasil está 'em vias de virar superpotência', diz 'FT'

Jornal britânico publica suplemento sobre vantagens e problemas do País, e cita 'grande onda de confiança'

BBC Brasil,

08 Julho 2008 | 06h33

O Brasil está a um passo de entrar no grupo das chamadas superpotências, diz um artigo do principal jornal de economia e finanças da Europa, o Financial Times, em sua edição desta terça-feira. "Não é exagero dizer que o Brasil está em vias de adquirir o status de superpotência", diz artigo publicado nesta terça-feira no jornal britânico, que traz um caderno especial de seis páginas sobre o País.    Veja também: Aperto monetário durará quanto for preciso, diz Meirelles   O artigo, intitulado "Surfando em uma grande onda de confiança", enumera pontos positivos sobre o País, onde "as perspectivas, aparentemente, nunca foram melhores". "Em uma época de crescente demanda global por alimentos e energia, o Brasil está em uma posição única", diz o jornal. "Já o maior produtor mundial de quase qualquer produto agrícola (...) inclusive etanol feito da cana-de-açúcar, o Brasil é o quarto maior fabricante de veículos e logo se tornará um importante exportador de petróleo."   O País é descrito ainda como "um grande ímã para investimento estrangeiro direto", e a sociedade brasileira está se transformando à medida que "a renda aumenta e as iniqüidades diminuem". A Bolsa Família e o impacto de ações para combater a sonegação fiscal são citados como elementos positivos.   Os autores do artigo, os jornalistas Jonathan Wheatley e Richard Lapper, afirmam que este quadro se tornou possível "por reformas realizadas nos últimos 15 anos e que frutificaram durante os últimos anos".   "Sem garantia"   O status de superpotência parece alcançável, mas o País deve ter em mente "que ainda não chegou lá" e que essa posição ainda "não está garantida", alerta o jornal. "A infra-estrutura do País é uma bagunça", afirmam, destacando a "inadequação" dos sistemas públicos de saúde e educação, a burocracia enfrentada por empresas entre outros problemas.   O jornal elogia a estabilidade alcançada pela economia brasileira. "As bases da nova prosperidade do Brasil forma lançadas na administração de (Fernando Henrique) Cardoso e criticadas ruidosamente pelo PT, então oposição. Mas no governo, (Luiz Inácio) Lula da Silva e seus assessores viram o valor, especialmente para os pobres, da inflação baixa e de uma economia estável."   O artigo diz que algumas das prioridades previstas no governo de Fernando Henrique Cardoso, "especialmente a reforma dos sistemas de aposentadoria, impostos e de trabalho ainda devem ser feitas" e estariam aí alguns dos "grandes desafios" a serem enfrentados pelo País. "O modelo do caro setor estatal do Brasil ainda é um obstáculo para o desenvolvimento", diz o FT.   O suplemento do Financial Times traz ainda artigos sobre o impacto da estabilidade econômica duradoura sobre muitos brasileiros e a exploração de petróleo.   Violência urbana   Em artigo intitulado "Esforço para reparar uma reputação violenta", o jornal diz que "entre 1993 e 2003, a média de pessoas mortas a cada ano por ferimento a bala foi 32.555, de acordo com a Unesco (fundo das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura)".   "Isto supera o número anual de mortes em conflitos na Chechênia, Nicarágua, El Salvador, Guatemala, Argélia e até a primeira Guerra do Golfo", diz o texto, que ressalta, contudo, que "inesperadamente a incidência de homicídios está caindo".   "As razões para a tendência de baixa são variadas", diz o artigo, que cita análise de Julio Jacobo Waiselfisz, autor de Mapa da Violência, um estudo financiado pelo governo sobre os homicídios.   A expansão da economia, aumento de salários, baixo índice de desemprego, programas mais amplos de assistência aos mais pobres e maiores restrições para a venda de armas introduzidas em 2003 também são apontados como fatores por Waisenlfisz, de acordo com o Financial Times.   Um texto sobre a Amazônia diz que "há uma vontade maior de endurecer com exploradores ilegais de madeira e em combater a corrupção".   O tema de sucessão presidencial também é abordado. São apresentados os perfis de quatro dos supostos candidatos mais destacados: José Serra, Aécio Neves, Dilma Roussef e Ciro Gomes.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Mais conteúdo sobre:
BrasilFinancial Times

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.