Brasil está pessimista com reunião ambiental proposta por Bush

O encontro de Washington pode abrir as portas para que os EUA participem de um acordo global

REUTERS

04 de setembro de 2007 | 18h21

O Brasil minimizou na terça-feira a importância da reunião sobre mudança climática convocada pelo presidente americano, George W. Bush, por considerar que o tema deve ser tratado no âmbito da ONU."O debate dos Estados Unidos não representa outro caminho", disse a jornalistas João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente. "Queremos que o assunto da mudança climática permaneça nas Nações Unidas."Embora o Brasil "não espere uma mudança no comportamento" dos grandes emissores de gases do efeito estufa durante o debate convocado por Bush para 27 e 29 de setembro em Washington, Capobianco disse que o País comparecerá ao evento."Se os Estados Unidos abrem o debate, evidentemente isso nos interessa a todos, embora deva ficar claro que no nosso entendimento o foco do debate é a ONU", insistiu Capobianco, após uma reunião internacional sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável no Rio.O encontro de Washington pode abrir as portas para que os Estados Unidos participem de um acordo global sobre emissões no futuro, depois de rejeitar o Protocolo de Kyoto. TRABALHO INSATISFATÓRIONo Rio, representantes de países das Américas, da Europa, da África e da Ásia discutiram durante dois dias o papel dos organismos que regem a coordenação internacional de proteção ao meio ambiente e desenvolvimento sustentável.Os participantes concordaram que o trabalho desses órgãos é insatisfatório diante dos crescentes problemas ambientais, segundo funcionários brasileiros.Mas não chegaram a uma conclusão sobre se os organismos existentes, como o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, têm de ser reforçados ou se será necessário um novo organismo mais forte, no estilo da Organização Mundial da Saúde.A chamada "Reunião Ministerial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sutentável - Desafios de Governabilidade" foi convocada pelo Brasil, que convidou ao Rio países tidos como os de maior atuação no tema.O debate continua em 27 de setembro numa reunião na ONU, em Nova York.Ao abrir o evento no Rio, na segunda-feira, o chanceler Celso Amorim propôs a criação de uma nova entidade dentro do sistema da ONU para reforçar o âmbito institucional da governabilidade ambiental internacional.A ministra brasileira do Meio Ambiente, Marina Silva, disse na terça-feira que as fontes de financiamento continuam sendo o principal entrave às discussões sobre o desenvolvimento sustentável e o meio ambiente, ainda que tenha havido algum avanço.

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