Brasil fecha acordo e evita risco de impasse na Rio+20

Embora tímido, rascunho de documento final obtido após intensas negociações afasta pressão sobre líderes na cúpula

O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h02

Após uma maratona de negociações diplomáticas em cima do rascunho da declaração final da Rio+20, a delegação brasileira costurou um acordo que parecia impossível nos últimas dois dias, facilitando a missão de anfitriã da presidente Dilma Rousseff: evitar que cúpula dos chefes de Estado e de governo, que começa hoje e vai até sexta-feira, corra o risco de naufragar em meio a um impasse em torno do documento final.

O texto aprovado por consenso por todas as delegações - exigência da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, nome oficial da Rio+20 -, porém, não foi considerado o ideal pelas delegações. "Foi o acordo possível", resumiu o secretário-geral da Rio+20, o chinês Sha Zukang. Para as organizações não governamentais, o resultado foi um texto "fraco" e "sem ambições".

Dilma, por sua vez, comemorou o resultado como "uma grande vitória". "É difícil construir o consenso entre 17 países. Estamos vendo isso na (zona do euro da) União Europeia. Mas, nós estamos fazendo isso (chegar ao consenso) na Rio+20". O embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, negociador-chefe do País, resumiu em poucas palavras o alívio após um intricado processo de negociação: "O texto é estupendo".

Os europeus pressionaram por uma adesão mundial mais firme aos princípios da chamada economia verde, com reduzido impacto ambiental, mas os países mais pobres não queriam que isso representasse barreiras aos seus produtos, e os americanos trabalharam para evitar compromissos com a mudança nos padrões de consumo e produção para um modelo sustentável.

Ao administrar interesses tão conflitantes na declaração final, o governo brasileiro, anfitrião da conferência, abriu mão de uma definição mínima dos temas que serão tratados pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que só serão conhecidos em dois anos.

O rascunho do texto final da conferência pode ser alterado, possibilidade considerada remota. Até agora, entre um resultado ambicioso e o fracasso total da Rio+20, o País trabalhou para evitar a segunda possibilidade.

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