Brasil Foods vê receita maior em 2013 com mercado interno--CEO

A Brasil Foods, a terceira maior exportadora do Brasil, espera um crescimento da sua receita de 10 a 12 por cento em 2013, impulsionado principalmente pelo desempenho do mercado interno, disse o presidente da empresa, José Antonio Fay, em evento na BM&FBovespa.

Reuters

13 de novembro de 2012 | 16h03

A companhia, que é líder mundial nas exportações de carne de frango, vem apostando na força do mercado interno, enquanto ainda vê dificuldades nas vendas para o exterior, por conta do cenário de crise mundial.

"Temos uma visão otimista de 2013... O consumo do Brasil tende a crescer mais do que o resto do mundo", afirmou ele ao comentar os resultados do terceiro trimestre divulgados na segunda-feira.

Segundo Fay, as participações dos mercados interno e externo já foram equivalentes, mas as vendas externas perderam fatia e o Brasil responde agora por 60 por cento da receita da companhia.

A BRF, que surgiu da incorporação da Sadia pela Perdigão, pretende aumentar a receita com foco nas vendas de produtos de maior valor agregado e por um reposicionamento de portfólio e marcas, segundo material distribuído durante a apresentação dos resultados.

O executivo lembrou que a suspensão de marcas da Perdigão, como definido no Termo de Compromisso de Desempenho (TCD) firmado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), fez a BRF reposicionar marcas e lançar novos produtos, a fim de garantir participação no mercado interno.

Ao longo deste ano, a BRF lançou 283 produtos, sendo que 115 somente no terceiro trimestre, distribuídos em food service (segmento para alimentação fora do lar), lácteos e novos produtos de venda direta ao consumidor para os mercados interno e externo.

"Fica difícil saber como fica o market share (participação de mercado) até o próximo ano" disse. "Ainda tenho dúvidas sobre quais mercados cresceram depois que os produtos da Perdigão foram suspensos e quais mercados tiveram condições de repor (estes produtos)", acrescentou.

O executivo ponderou que o arranjo do mercado somente ficará mais definido nos próximos cinco ou seis meses.

CUSTOS E REPASSES

O lucro líquido da empresa, que é a maior produtora de carne de aves e suína do Brasil, desabou 75 por cento no terceiro trimestre, para 91 milhões de reais, por conta dos custos maiores das matérias-primas. Mas o faturamento cresceu 7,4 por cento no período.

No acumulado do ano até setembro, a receita líquida da companhia somou 20,37 bilhões de reais, alta de 9 por cento ante o mesmo período de 2011.

O vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, Leopoldo Saboya, explicou que a empresa sofreu no trimestre grande impacto dos preços mais altos de grãos, principal insumo do setor, e de custos temporários referentes a troca de ativos com a Mafrig-- um dos requisitos do Cade para a aprovação da incorporação da Sadia.

Os preços do milho e da soja subiram 12 por cento e 104 por cento, respectivamente, se comparados ao terceiro trimestre de 2011, com base no mercado de Ponta Grossa, no Paraná, segundo levantamento da companhia.

Os preços de venda no mercado interno subiram entre 4 e 4,5 por cento no terceiro trimestre ante o trimestre anterior. Mas se comparado a igual período de 2011, o reajuste médio foi de 8,8 por cento.

INVESTIMENTOS

Fay disse ainda que os investimentos da companhia deverão atingir cerca de 2 bilhões de reais no próximo ano. Nos primeiros nove meses de 2012, os investimentos totalizaram 1,7 bilhão de reais, sendo 540 milhões de reais no período entre julho e setembro.

Segundo Saboya, do investimento total previsto para o próximo ano, 550 milhões de reais serão destinados para aquisição de matrizes.

Saboya admitiu durante o evento, no entanto, um "viés de baixa no investimento no próximo ano". Ele não deu detalhes sobre a eventual redução.

(Reportagem de Fabíola Gomes)

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