Brasil ocupa 107º lugar em ranking de mortalidade infantil

Relatório aponta uma taxa em 2007 de 22 mortos para cada mil nascidos vivos; em 2006 eram 20 para cada mil

Da BBC Brasil, BBC

15 Janeiro 2009 | 11h54

O Brasil aparece em 107º lugar entre 194 países em um ranking do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) que aponta as nações com os mais elevados índices de mortalidade infantil - em crianças com até cinco anos de idade.   Veja também: Países em desenvolvimento registram 99% das mortes maternas Relatório completo da Unicef (em inglês)  O relatório Situação Mundial da Infância 2009 aponta o País com uma taxa em 2007 de 22 mortos para cada mil nascidos vivos. No ano anterior, o Brasil aparecia numa posição melhor em 113º lugar, com um índice de 20 mortos para cada mil nascidos vivos.   O Unicef afirma, no entanto, que realiza modificações metodológicas todos os anos para ajustar a série histórica, o que - de acordo com a entidade - torna inadequada a comparação dos dados entre relatórios de anos diferentes.   Em um comunicado, o escritório do Unicef no Brasil diz que os dados sobre o país publicados no relatório divulgado nesta quinta-feira ainda não incluem os números mais recentes da Rede Interagencial de Informações para a Saúde (Ripsa) - que reúne os principais dados brasileiros sobre mortalidade infantil.   De acordo com a Ripsa, a taxa de mortalidade entre menores de cinco anos no Brasil caiu de 23,6 para 23,1 em cada mil nascidos vivos entre 2006 e 2007.   No relatório do Unicef, os países com os piores índices de mortalidade infantil são Serra Leoa e Afeganistão. Seis países registraram as taxas mais baixas e ocupam a última posição no ranking: Suécia, Islândia, Cingapura, Luxemburgo, Andorra e Liechtenstein.   No período entre 1990 e 2007, o Unicef indica que o Brasil registrou uma das mais altas reduções no índice de mortalidade infantil. Com uma queda de 62% no período, o país teve a 18ª maior diminuição no índice entre os 194 países da lista - de 58 para 22 entre cada mil nascidos vivos.   Complicações   O relatório do Unicef afirma que mulheres nos países menos desenvolvidos do mundo ainda têm 300 vezes mais chances de morrer durante o parto ou por complicações na gravidez do que mulheres em países desenvolvidos.   O órgão da ONU diz ainda que uma criança nascida em um país em desenvolvimento tem quase 14 vezes mais chances de morrer durante o primeiro mês de vida do que uma criança nascida em um país desenvolvido.   "A cada ano, mais de meio milhão de mulheres morrem devido a complicações no parto, incluindo cerca de 70 mil meninas e mulheres jovens, entre 15 e 19 anos", afirmou Ann Veneman, diretora-executiva do Unicef.   "Desde 1990, as complicações relacionadas à gravidez e ao parto já mataram cerca de 10 milhões de mulheres", acrescentou.   Melhoras   O Unicef afirma que muitos países em desenvolvimento progrediram muito para melhorar as taxas de sobrevivência de suas crianças nos últimos anos.   O relatório aponta Níger e Malauí como exemplos por terem cortado quase pela metade as taxas de mortalidade entre crianças com menos de cinco anos entre 1990 e 2007, em 42% e 47% respectivamente.   Mas o mesmo progresso não foi observado na prevenção de risco para a saúde das mães e, embora as taxas de sobrevivência de crianças com menos de cinco anos esteja melhorando no mundo todo, os riscos para crianças nos primeiros 28 dias de vida ainda são altos em muitos países.   O Unicef afirma ainda que aproximadamente 99% das mortes do mundo causadas por complicações na gravidez ocorrem nos países em desenvolvimento, nos quais ter um filho ainda é um dos mais graves riscos à saúde para mulheres.   A grande maioria ocorre na África e na Ásia, onde as altas taxas de natalidade, falta de funcionários treinados e sistema de saúde deficiente colocam em risco a saúde das mães.   Os dez países com o maior risco de morte maternal durante a vida toda são Níger, Afeganistão, Serra Leoa, Chade, Angola, Libéria, Somália, República Democrática do Congo, Guiné-Bissau e Mali.   "Para salvar as vidas de mulheres e de seus recém-nascidos, é necessário mais do que apenas intervenção médica", afirmou Ann Veneman. "Educar as meninas é muito importante para melhorar a saúde de mães e recém-nascidos e também trará benefícios para as famílias e a sociedade."   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.   Alterada às 17h48

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