Brasil oferece publicidade por créditos de carbono para compensar obras da Copa

Para compensar as emissões de carbono geradas por construções, viagens e outras atividades relacionadas à Copa do Mundo de futebol, o Ministério do Meio Ambiente divulgou nesta terça-feira um programa para convencer os detentores de créditos de carbono apoiados pela Organização das Nações Unidas a trocá-los por publicidade durante o torneio.

MARCELO TEIXEIRA, Reuters

15 Abril 2014 | 22h30

Com um gasto de 26 bilhões de reais com preparativos para o Mundial, que começa em junho, o Brasil não tem planos de comprar métodos de compensação no mercado, mesmo com os preços do carbono nos níveis mais baixos da história.

"Conversamos com alguns desses detentores de créditos e eles estavam abertos à ideia de doá-los", disse Eduardo Valente, funcionário envolvido no programa.

O governo só irá aceitar Reduções Certificadas de Emissões(RCE) de projetos sediados no Brasil que pertençam ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) da Organização das Nações Unidas (ONU).

As empresas que decidirem se juntar ao programa terão que preencher um requerimento de cancelamento voluntário das RCEs junto ao comitê executivo do MDL.

O Brasil e a Fifa têm projeções diferentes da abrangência do carbono da Copa do Mundo.

A Fifa se concentra sobretudo nas viagens de funcionários e espectadores, antes e durante o evento. O governo brasileiro inclui em seus cálculos todo o trabalho de construção, tanto nos estádios quanto em projetos de infraestrutura.

Ambos prometeram compensar as emissões do torneio, mas a Fifa planeja comprar os créditos.

A Copa do Mundo de 2014 será sediada no número recorde de 12 cidades brasileiras, em estádios recém-construídos em 11 Estados brasileiros, mais o Distrito Federal.

Seleções, torcedores e funcionários da organização transitarão constantemente nas cidades, o que irá representar um aumento nas emissões de dióxido de carbono em comparação a eventos anteriores em países menores com menos estádios.

Algumas das arenas estão a mais de 5.000 quilômetros de distância umas das outras.

A projeção inicial da Fifa coloca o total de emissões em mais de 2,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e). As emissões da Copa anterior, na África do Sul, em 2010, ficaram em torno de 1,7 milhão de toneladas.

O governo brasileiro deve divulgar a sua primeira estimativa no mês que vem.

O presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (ABEMC), Ernesto Cavasin, disse que o programa de compensação é positivo, mas insuficiente.

"Não vi muito estímulo à redução de emissões durante os preparativos", afirmou.

"O Brasil deveria ter pressionado pela tecnologia verde em áreas como iluminação, manejo de resíduos e energia, e poderia usar os créditos destes projetos para neutralizar as emissões da Copa".

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