Brasil pode retomar liderança de mercado de minério em 2017-Vale

O Brasil poderá recuperar a liderança global em participação de mercado de minério de ferro em 2017, depois de perder a posição para a Austrália há alguns anos, disse nesta terça-feira o diretor de Relações com Investidores da Vale, Roberto Castello Branco nesta terça-feira.

Reuters

14 de agosto de 2012 | 14h41

A liderança do Brasil poderá vir com a entrada em operação de projetos das Vale, que já é líder em produção e vendas de minério.

A companhia deverá aumentar expressivamente sua presença no mercado a partir da operação de Serra Sul, no Pará, projeto gigante que vai se somar à produção de Carajás e de outras minas da companhia.

"Nós brasileiros, perdemos participação para Austrália, mas com esse o projeto vamos recuperar participação de mercado e continuar sendo o líder seja por reserva, produção e qualidade", disse ele em evento no Rio de Janeiro.

A Vale prevê elevar sua produção de minério de ferro para 460 milhões de toneladas até 2017, crescimento de mais de 40 por cento ante os níveis do ano passado, com grande parte do volume adicional vindo do bilionário projeto localizado na serra sul de Carajás, com capacidade para 90 milhões de toneladas.

Um dos motivos para a perda de espaço no mercado internacional pelo Brasil é a demora na concessão de licenças para a execução dos projetos, segundo o executivo. Mas Castello Branco salientou que a empresa vem se empenhando para agilizar a liberação das autorizações.

"Nós não gostamos de culpar os outros (o governo) pelo nosso fracasso em não obter as licenças. Temos equipes altamente preparadas, proativas e com disposição maior", disse ele.

REALISMO SOBRE CHINA

O executivo afirmou que a companhia tem hoje uma visão mais realista sobre a demanda chinesa, o principal mercado da companhia.

"Não sou pessimista, sou mais realista. Em vez de crescerem 11 por cento, vão crescer 7 ou 8 por cento. Isso ainda é muito bom", declarou a jornalistas. "Temos que nos adaptar ao novo tempo", acrescentou.

Segundo ele, com uma economia mais madura, o PIB da China não deve ser mais de dois dígitos, mas o crescimento chinês vai continuar robusto.

"O crescimento chinês vem desacelerando devido à normalização da política macroeconômica para enfrentar o choque global de 2008. A economia chinesa chegou a 7 por cento de crescimento e não sabemos o que vai acontecer. Pode ser um alarme falso", avaliou o executivo.

"Não acredito que a China vai ter recessão e a recuperação começa no fim deste ano. Não vamos ver o crescimento espetacular de 10, 11 por cento ao ano. Será um crescimento robusto liderado pelos emergentes. A China vai continuar com suas transformações estruturais e com sua demanda por metais. Não somos pessimistas com relação a eles."

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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