Brasil poderá doar até 500 mil t de arroz para programa da ONU

O Brasil poderá doar até 500 mil toneladas de arroz para o Programa Mundial de Alimentos (PMA), da Organização das Nações Unidas, em um período de 12 meses, de acordo com decreto da presidente Dilma Rousseff publicado na terça-feira no Diário Oficial da União.

REUTERS

21 Junho 2011 | 16h47

O volume equivale a quase o total exportado pelo Brasil de arroz na temporada passada (627 mil toneladas).

Mas o arroz liberado para doação foi colhido em 2006 e 2007 --ainda adequado para consumo, mas que não tem características de um produto tipo 1, pelo envelhecimento, segundo Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), detentora dos estoques.

Além de atender a países que sofrem escassez de alimentos indicados pela ONU, o governo brasileiro também poderá se beneficiar com a medida, abrindo espaço nos armazéns públicos, já que o país colhe uma safra recorde em 2010/11, de 13,9 milhões de toneladas, e tem feito compras diretas de produtores para sustentar os preços internos.

"Estamos comprando muito arroz no Rio Grande do Sul... E esse arroz (liberado para o PMA) já está amarelando. É próprio para consumo, mas dentro da classificação da Conab ele já não é do tipo 1", declarou o superintendente de Abastecimento Social da Conab, João Claudio Dalla Costa.

A Conab poderá doar também no período de 12 meses para o PMA até 100 toneladas de milho, 100 mil toneladas de feijão, até 10 mil toneladas de leite em pó, além de sementes de hortaliças.

Inicialmente, seriam doadas 300 mil toneladas de milho, mas considerando o mercado mais apertado deste cereal no país, o governo decidiu reduzir a quantidade, disse o superintendente.

Segundo Costa, esta não é a primeira vez que o governo brasileiro faz doações de alimentos. Operações semelhantes já ocorreram em 2008 e 2009, afirmou ele.

No caso do arroz, o volume liberado é do produto em casca. Após ser beneficiado, a quantidade cai para aproximadamente 250 mil toneladas, disse Costa.

O Ministério das Relações Exteriores ficará responsável por definir a quantidade e a destinação dos produtos, segundo nota do governo.

Pelo decreto, os produtos poderão ser destinados para os seguintes países: Bolívia, El Salvador, Guatemala, Haiti, Nicarágua, Zimbábue, Cuba, Sudão, Etiópia, República Centro-Africana, Congo, Somália, Níger, República Democrática Popular da Coreia; aos países integrantes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa; e à Autoridade Nacional Palestina.

(Por Roberto Samora)

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