Brasil produzirá o novo Renault Mégane

A Renault, quinta no ranking de fabricantes de carros no Brasil, vai produzir, em São José dos Pinhais (PR), o Mégane Sedan II, a nova geração do modelo lançada na Europa em 2003. A filial brasileira disputou o projeto com a Argentina. Ontem, a matriz francesa confirmou investimentos de 50 milhões (cerca de US$ 60,5 milhões) para a fabricação do terceiro modelo da marca no País, depois do Scénic e do Clio. A produção começa no segundo semestre de 2005. Serão, inicialmente, 20 mil unidades ao ano, que podem gerar 250 empregos diretos, segundo o presidente da Renault do Brasil, Pierre Poupel. O veículo atuará no segmento de modelos médios, um dos que mais cresce no mercado atualmente, e hoje disputado principalmente pelo Toyota Corolla, Honda Civic e Ford Focus, que custam na faixa de R$ 40 mil a R$ 60 mil. O Mégane brasileiro terá motor 1.6 e 2.0, a gasolina e também bicombustível (roda com gasolina ou álcool). Também haverá versão a diesel para exportação."A matriz avaliou a vantagem de cada país e escolheu o Brasil para este projeto", disse Poupel. Segundo ele, 60% da produção do novo modelo será destinada ao mercado brasileiro e 40% para Chile e Argentina. Outros países da América Latina e o México também são potenciais compradores. O Brasil será o segundo país, depois da Turquia, a fabricar a versão 4 portas do Mégane. A Argentina vai manter, até 2007, a produção do atual modelo, além de Clio e Kangoo. No ano passado, a Renault, responsável por 4% das vendas de veículos no País, perdeu para a Europa o programa de um carro compacto mundial, previsto para 2005. Na ocasião, a matriz considerou que o projeto não era suficientemente rentável no contexto da indústria do Brasil e do Mercosul. A fábrica paranaense opera hoje com cerca de 60% de ociosidade. Em algumas ocasiões, analistas do mercado automobilístico chegaram a apontar a Renault como possível candidata a deixar o País, por causa de altos prejuízos em suas operações. "Não estamos pior do que qualquer outra montadora, pois todas têm problemas de rentabilidade por causa do mercado baixo", disse Poupel. "Já investimos US$ 1,35 bilhão em fábricas e produtos modernos, e agora estamos ampliando nosso nicho de atuação. O que falta é volume no mercado." O executivo calcula modesto aumento de participação da marca no mercado brasileiro, para 5%. NovidadesCom o Mégane, sobe para seis o número de automóveis totalmente novos já confirmados para produção local. A Ford inicia a produção da versão sedã do Fiesta na Bahia em agosto e a Peugeot a do 206 Station Wagon em novembro, no Rio. Em 2005 a Fiat lança a minivan Idea e, no ano seguinte, será a vez da Mercedes-Benz inaugurar a linha de montagem do Smart Fourmore, em Minas Gerais, e da GM apresentar o novo derivado do Celta em Gravataí (RS). Toyota e Volks cogitam novos produtos na linha de compactos daqui a três anos. A gerente de projetos automobilísticos da consultoria Roland Berger, Silvia Magalhães, avalia que, apesar da baixa rentabilidade, as montadoras apostam no mercado brasileiro e mantêm investimentos. Num mercado competitivo, disse ela, desenvolver continuamente novos produtos é fator importante para conquistar os consumidores. "As empresas precisam conciliar a pressão de custos de um lado e atender o que o consumidor quer do outro", disse Silvia. "Não vejo movimento de parada de lançamentos." O investimento para a produção do novo veículo será bancado pela matriz do grupo e pela filial brasileira, que também vai buscar apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Agencia Estado,

23 de junho de 2004 | 08h47

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