Brasil quer reforma financeira, Obama promete agir

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu neste sábado uma reforma do sistema financeiro global que "ruiu como um castelo de cartas" na crise de crédito e defendeu que os países emergentes precisam ter mais voz nas decisões-chave. Nos Estados Unidos, o presidente eleito Barack Obama disse que é hora de os norte-americanos colocarem de lado suas diferenças políticas para se concentrar na prevenção de uma recessão profunda, que ele planeja combater assim que assumir a Casa Branca em janeiro. No encontro anual do G20, o grupo dos maiores economias desenvolvidas e em desenvolvimento, em São Paulo, muitos dos mais poderosos dirigentes de bancos centrais e autoridades governamentais financeiras iniciaram conversas sobre a crise. Eles estão tentando se preparar para uma cúpula de emergência de líderes mundiais que será realizada no próximo fim de semana, em Washington. O diretor do Fundo Monetário Internacional disse que os governos devem encontrar maneiras de estimular suas economias, incluindo possíveis novos cortes nas taxas de juro. O ministro das Finanças do Canadá, Jim Flaherty, afirmou que espera que os dirigentes de bancos centrais, incluindo Ben Bernanke, chairman do Federal Reserve dos EUA, e Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), continuem as discussões sobre mais ações conjuntas de redução de juro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atentou para o risco de milhões de pessoas perderem seus empregos, provocando um aumento na pobreza em muitas economias emergentes e que isso seria culpa dos países ricos. "Essa crise começa nas economias desenvolvidas", disse Lula às autoridades financeiras. "Essa é a conseqüência da fé dogmática no princípio da não intervenção do Estado na economia". Na sexta-feira, Brasil, Rússia, Índia e China --que formam o chamado Bric-- divulgaram pela primeira vez um comunicado conjunto pedindo a reforma de instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) de modo a refletir a importância cada vez maior dos países emergentes. Nações como a gigante exportadora China e os países do Golfo, ricos em petróleo, concentram trilhões de dólares em reservas, que podem ajudar o FMI a ajudar países menores a resistir à turbulência que abala os mercados financeiros e suas moedas. Lula, que por muito tempo criticou a predominância dos EUA e de outras economias desenvolvidas no modo como as decisões financeiras globais são tomadas, disse que é de grande aceitação a idéia de que a elite dos países do G7 não são mais capazes de trabalhar sozinhos. "É hora de um pacto entre governos para a criação de uma nova arquitetura financeira mundial", disse. AGIR DESDE O PRIMEIRO MOMENTO Obama, falando a uma emissora de rádio norte-americana, disse que é vital que os norte-americanos coloquem de lado as divisões da recente campanha eleitoral "e isso é especialmente importante em um momento em que enfrentamos os desafios mais sérios de nossas vidas." Obama disse que não vai desperdiçar tempo no esforço de combater a crise. "Ao mesmo tempo em que precisamos reconhecer que só temos somente um presidente por vez e que o presidente Bush é o líder de nosso governo, eu quero assegurar que nós vamos começar a trabalhar desde o primeiro momento a partir de 20 de janeiro, porque nós não temos tempo a perder", disse. Não está claro se Obama vai participar da cúpula de líderes do G20 em Washington no próximo fim de semana. (Reportagem adicional de Anna Willard, Louise Egan e Elzio Barreto em São Paulo e Jeremy Pelofsky em Washington)

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