Brasil sem Miséria criará bolsa de preservação ambiental

O programa Brasil sem Miséria, lançado nesta quinta-feira pela presidente Dilma Rousseff, cria uma bolsa de 300 reais que será distribuída trimestralmente às famílias que vivem em situação de extrema pobreza e que ajudarem a preservar florestas nacionais e reservas extrativistas.

JEFERSON RIBEIRO, REUTERS

02 Junho 2011 | 12h01

Para ter acesso aos recursos da chamada Bolsa Verde, a família terá que ser integrada ao programa Bolsa Família e apresentar um projeto de proteção da mata ao Ministério do Meio Ambiente, que fiscalizará os repasses. A burocracia pode tornar o acesso à Bolsa Verde mais difícil.

Os mais pobres que vivem no campo também terão acesso a um recurso de fomento de até 2,4 mil reais por família a cada seis meses durante dois anos. O governo também financiará a construção de 600 mil cisternas para produção agrícola e outras 700 mil para consumo.

O Brasil sem Miséria, que tem por objetivo retirar da pobreza extrema 16,2 milhões de pessoas até 2014, também ampliará o atendimento do Bolsa Família. Até 2013, o governo pretende incluir cerca de 800 mil famílias que hoje não recebem os benefícios oficiais.

Também será ampliado de três para até cinco o número de dependentes de até 15 anos que poderá receber os repasses do Bolsa Família.

Com essa alteração, 1,3 milhão de crianças e adolescentes serão incluídos no Bolsa Família. Hoje mais de 15,7 milhões de pessoas nessa faixa etária estão inscritos e recebem benefícios.

A maior parte das ações do Brasil sem Miséria visa qualificar os atuais beneficiários do Bolsa Família para conseguirem um emprego formal e aumentarem sua renda. Por isso, muitas ações estão relacionadas com a ampliação do acesso aos serviços públicos e à qualificação de mão-de-obra.

Nos centros urbanos, o governo usará programas de qualificação que já estão em andamento como o Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica (Pronatec) para atender pelo menos 1,7 milhão de pessoas.

O Brasil sem Miséria também terá uma ação específica para catadores de materiais recicláveis. O objetivo é atender essas pessoas em 260 municípios e ampliar a infraestrutura para esse ramo da economia. A ideia é incluir até 280 mil pessoas.

O plano para erradicar a miséria é uma promessa de campanha eleitoral da presidente Dilma, e seu anúncio vem sendo aguardado desde que ela assumiu o mandato. O lançamento ocorre no momento em que o governo Dilma se encontra sob pressão da base partidária e, principalmente, da oposição devido a acusações envolvendo o seu ministro mais influente.

O chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, está sendo cobrado a prestar esclarecimentos sobre o seu aumento patrimonial e as operações de sua empresa, a consultoria Projeto, antes de assumir o cargo.

(Com reportagem adicional de Hugo Bachega)

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