Brasileiro é assassinado em Gifu, no Japão

Para polícia, criminoso não é japonês nem brasileiro pois falava outra língua

Rejane Lima, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2008 | 20h37

O brasileiro Tadashi Namekata Brum, de 31 anos, foi morto na madrugada de sábado (horário local) na cidade de Gifu, no Japão, onde morava desde os 17 anos. A família do decasségui, que desconhece detalhes do assassinato, tenta viabilizar a vinda do corpo para o País. Moradores de Praia Grande, na Baixada Santista, os pais de Tadashi souberam do crime na tarde de sábado, ao receberem o telefonema de um amigo. Pela internet, a família descobriu que o assassinato aconteceu em uma pequena rua da cidade, por pessoas que fugiram em três carros. O jovem, encontrado sem documentos e com dois celulares, teria chegado a ser socorrido. O irmão gêmeo da vítima, que há 40 dias retornou para o Brasil, viajou para o Japão para tentar viabilizar o transporte do corpo. Tadashi havia se mudado para o Japão em 1994 junto com irmão e os pais - mãe japonesa e pai brasileiro - que permaneceram no País até que os filhos completassem a maior idade. Atualmente, Tadashi trabalhava como mecânico de automóveis autônomo, mas até 2004 era operário de empreiteiras. Durante os anos que morou no Japão, o mecânico se casou, separou e por cinco vezes esteve no Brasil visitando a família. "A última vez foi em agosto do ano passado", conta a irmã do decasségui Akimi Brum dos Santos, de 37 anos. De acordo com ela, Gifu não é uma cidade violenta e a família desconfia que o motivo do assassinato seja alguma briga. "Ele era estourado e soubemos que houve uma discussão porque a polícia ligou para o meu outro irmão e disse que o autor do crime não é brasileiro nem japonês, pois as testemunhas disseram que eles falavam em outra língua". De acordo com Akimi, nesse momento a maior preocupação da família não é descobrir as circunstâncias da morte e sim trazer o corpo para o Brasil. "Isso não vai trazer meu irmão de volta. Estamos mais preocupados em trazer o corpo e com a segurança do meu irmão que está indo lá", disse Akimi, explicando que não há cemitérios lá e que todos os corpos são cremados. Desde sábado, a família tenta contatar o Itamaraty através de e-mails e telefonemas, mas ainda não obteve esclarecimentos ou ajuda sobre os procedimentos que precisam ser adotados para viabilizar a vinda do corpo.

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