Brasileiro estuda síndrome desde nascimento da filha

Em 16 anos de pesquisas, Alberto Costa publicou 30 artigos em revistas científicas e livros

RIO, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h04

O médico e neurocientista Alberto Costa, de 49 anos, despertou para o estudo da síndrome de Down depois do nascimento da primeira filha, Tyche, hoje com 17 anos. Passou a ler tudo o que encontrava a respeito da trissomia do cromossomo 21. Descobriu que as pesquisas estavam voltadas para a genética. Havia pouca coisa sobre a qualidade de vida, aprendizado. Dedicou-se a esses temas. Em 16 anos de pesquisas, publicou 30 artigos em revistas científicas e capítulos de livros. .

Filho de um oficial da Marinha e de uma costureira nordestinos, de família pobre, Costa fez medicina na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, doutorado em biofísica na Universidade Federal do Rio de Janeiro e se transferiu para os EUA para o pós-doutorado. Se preparava para retornar ao País, quando Tyche nasceu com síndrome de Down e uma severa alergia a derivados de leite e ovos. Achou que a filha teria mais recursos se a família permanecesse lá.

Hoje, a grande preocupação dele é com o encolhimento de recursos para estudos como o seu. "As pesquisas estão voltadas para testes pré-natal não invasivos, para que possam 'prevenir' o Down. Cresci enfrentando discriminações de todas as formas e tenho uma tolerância muito pequena para o preconceito. Quando aconteceu a síndrome com minha filha, eu sabia que tinha de fazer alguma coisa, porque eles são vistos como menos que o ser humano, que é o princípio básico da eugenia", afirma.

Costa espera que outros pais se mobilizem para viabilizar pesquisas científicas. Ele virá a São Paulo para apresentar o projeto da segunda fase do estudo com memantina. A intenção é fazer parceria com o Centro de Estudos e Pesquisas Clínicas de São Paulo, dirigido por Zan Mustacchi, especialista em Down.

"Houve uma progressão fantástica, mas é preciso testar com um número maior de pessoas. Acreditamos que se melhorar a atividade cognitiva e a memória, melhora relação social, o acesso à informação, a condição laborativa e, assim, teremos menos preconceito", diz Mustacchi. / C.T.

* Texto atualizado às 16h26 em 26/8/2012.

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