Brasileiro pode declarar doação de órgão pelo Facebook

Ministro da Saúde lança ferramenta no País, mas, na prática, decisão de doar continua sendo da família

DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h07

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o vice-presidente do Facebook para a América Latina, Alexandre Hohagen, lançaram ontem no Brasil uma ferramenta que permite ao usuário da rede social se declarar doador de órgãos. Na prática, isso não modifica a regra de hoje, e a decisão de doar continua nas mãos da família. Por enquanto, só conseguirá adicionar o status de doador quem já aderiu à Linha do Tempo" do site, versão mais nova e completa de perfil de usuário. Nas próximas semanas, a empresa migrará compulsoriamente o perfil de todos os usuários que ainda não usam o novo formato.

Mesmo assim, o ministro defendeu que o Facebook servirá como "mais um instrumento para que se possa deixar claro em vida a parentes e amigos o desejo de ajudar".

Em entrevista, Padilha afirmou ainda que, com essa ação, quer promover um burburinho em torno do assunto e aproximar o tema dos jovens, maioria entre os que navegam no site.

A ferramenta foi lançada nos Estados Unidos em maio e começa a se espalhar por outros países. Mas esta é a primeira vez que um governo federal se engaja na divulgação - e com direito a confecção de camisetas do ministério personalizadas com "joinha", em alusão à opção "curtir" do Facebook - da campanha.

Para ativar a nova ferramenta, o usuário da rede social deve acessar sua Linha do Tempo, clicar em "evento cotidiano", selecionar "saúde e bem-estar", optar por "doador de órgãos", escolher o grau de privacidade e salvar.

Dados positivos. Enquanto incentiva a doação de órgãos via Facebook, o Ministério da Saúde comemora os novos dados de transplantes no Brasil.

De acordo com a pasta, o número aumentou 37% nos primeiros quatro meses deste ano em relação ao mesmo período de 2011 - 7.993 contra 5.842 procedimentos.

Nesse mesmo período, o número de doadores cresceu 29%, atingindo a média de 13,6 doadores por milhão de pessoas. Esse porcentual supera a meta da pasta, marca esperada somente para 2013. No ano passado, o índice era de 11,4 doadores por milhão de pessoas.

Coração. Entre os órgãos, o destaque vai para os transplantes de coração, que aumentaram 61% de janeiro a abril deste ano, comparando-se com o mesmo período de 2011.

Segundo o ministério, o transplante cardíaco era o que apresentava o crescimento mais tímido, por causa da complexidade da operação - o órgão suporta apenas quatro horas fora do corpo humano; o rim, por exemplo, aguenta até 36 horas.

O ministro credita esses avanços aos investimentos feitos por sua pasta.

Especialmente pela criação de novas Organizações de Procura de Órgãos e Tecidos, os chamados OPOs, que passaram de 10 para 62 de 2010 para este ano. Essas associações tem a responsabilidade de capacitar os profissionais envolvidos no processo, divulgar informações e mapear a existência de doadores em todo o Brasil.

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