Brasileiro preso no Líbano deve ser liberado nesta quinta

Mohamad Omais é acusado de adulteração de passaporte libanês e envolvimento no conflito de Naher El Bared

Denise Chrispim Marin, da Agência Estado e BBC Brasil,

21 Fevereiro 2008 | 13h08

O Itamaraty espera a liberação, nas próximas horas, do pediatra brasileiro Mohamad Kassen Omais, preso na última sexta-feira ao desembarcar em Beirute, no Líbano. O pediatra foi confundido com um terrorista homônimo.   Veja também: Médico brasileiro é preso no Líbano por suspeita de terrorismo Médico brasileiro detido no Líbano é pediatra conceituado Médico brasileiro é transferido de prisão especial no Líbano   Na manhã desta quinta-feira, 21, em paralelo à reunião de ministros da América do Sul e Países Árabes, em Buenos Aires, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, explicou o caso ao ministro da Justiça do Líbano, Charles Rizk, chefe da delegação de seu país, e pediu providências. Rizk prontificou-se a contatar imediatamente as autoridades de seu país e determinar a libertação do pediatra. Antes do apelo de Amorim, o caso estava a um passo de gerar uma crise diplomática entre o Brasil e o Líbano. Omais está detido na prisão do setor de inteligência das Forças de Segurança Interna do Líbano, em Beirute, de onde não teve autorização para receber a visita de familiares nem de representantes do Consulado Geral do Brasil, cuja missão seria prestar-se auxílio.   Diante dessa situação, o cônsul-geral do Brasil em Beirute, Micheal Gepp, declarou na quarta que passaria a tratar o caso como um incidente diplomático a partir desta quinta, se Omais continuasse na prisão.   Passaporte adulterado   Mohamad Kassen Omais é acusado de adulteração de passaporte libanês e de possível envolvimento com o conflito do ano passado no campo de refugiados palestino de Naher El Bared, no norte do Líbano. A informação foi dada à BBC Brasil por fontes das Forças de Segurança Internas (FSI) do país. Segundo uma das fontes, que pediu para não ser identificada, Omais teria um passaporte libanês que foi adulterado e usado por um primo que também tem cidadania brasileira, Zuheir Omais, para várias viagens à Síria.   "Este passaporte está dentro de uma investigação do setor de inteligência sobre os terroristas do conflito de Naher el Bared", disse a fonte à BBC Brasil.  Em maio do ano passado, o Exército libanês e militantes radicais do grupo Fatah al Islam se enfrentaram no campo Naher el Bared. O conflito matou de 400 pessoas, a maioria militantes e soldados, e deixou mais de 35 mil refugiados. O governo libanês acusou a Síria de estar por trás dos militantes, inclusive dando armas ao Fatah al Islam - um grupo que se dizia inspirado na Al Qaeda.   Outra fonte da polícia disse à BBC Brasil que o primo de Omais também está sendo procurado pela polícia e que estaria atualmente no Brasil. "Ele está na lista de procurados por terrorismo e falsidade ideológica. Omais pode ser processado por adulteração de passaporte e ligações com terrorismo", disse. "O que sei é que a polícia está investigando a relação das viagens do primo dele à Síria com o conflito de Naher el Bared."  

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