Brasileiro preso no Líbano é acusado de adulterar passaporte

Médico preso na semana passada recebeu visita de cônsul brasileiro em Beirute

Tariq Saleh, BBC

21 Fevereiro 2008 | 14h00

O médico brasileiro Mohamad Kassen Omais, que foi preso em Beirute na semana passada, está sendo acusado de adulteração de passaporte libanês e de possível envolvimento com o conflito do ano passado no campo de refugiados palestino de Naher El Bared, no norte do Líbano. A informação foi dada à BBC Brasil por fontes das Forças de Segurança Internas (FSI) do país. Segundo uma das fontes, que pediu para não ser identificada, Omais teria um passaporte libanês que foi adulterado e usado por um primo que também tem cidadania brasileira, Zuheir Omais, para várias viagens à Síria. "Este passaporte está dentro de uma investigação do setor de inteligência sobre os terroristas do conflito de Naher el Bared", disse a fonte à BBC Brasil. Procurado Em maio do ano passado, o Exército libanês e militantes radicais do grupo Fatah al Islam se enfrentaram no campo Naher el Bared. O conflito matou cerca de 400 pessoas, a maioria militantes e soldados, e deixou mais de 35 mil refugiados. O governo libanês acusou a Síria de estar por trás dos militantes, inclusive dando armas ao Fatah al Islam - um grupo que se dizia inspirado na Al Qaeda. Outra fonte da polícia disse à BBC Brasil que o primo de Omais também está sendo procurado pela polícia e que estaria atualmente no Brasil. "Ele está na lista de procurados por terrorismo e falsidade ideológica. Omais pode ser processado por adulteração de passaporte e ligações com terrorismo", disse. "O que sei é que a polícia está investigando a relação das viagens do primo dele à Síria com o conflito de Naher el Bared." Relatório Ayad Fares, advogado do brasileiro, tinha a expectativa de que Omais fosse libertado hoje, mas como o caso tomou maiores dimensões, o brasileiro deve continuar preso. O cônsul-geral do Brasil em Beirute, Michael Gepp, disse que as autoridades libanesas permitiram hoje que ele pudesse visitar Omais. Segundo Gepp, o brasileiro não apresenta sinais de maus tratos, mas está muito abatido."Ele disse que está bem, mas implorou para que as autoridades libanesas o deixassem voltar ao Brasil." "Ele está preocupado com sua atividade profissional no Brasil, com consultas marcadas para atender. Ele continua não acreditando que está envolvido numa situação destas." O cônsul disse que enviou um relatório sigiloso ao Ministério de Relações Exteriores sobre o que as autoridades libanesas lhe relataram.   "Tudo que posso dizer é que ele está sendo acusado formalmente de adulteração de passaporte libanês. Não posso revelar os detalhes do meu relatório, apenas que o caso é muito grave", disse Gepp. "Se o juiz decidir que sua história de inocência procede, ele pode determinar que ele seja liberado. Mas por enquanto, segundo me informaram, ele continuará preso".   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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