Brasileiro vai gerir Fundo Global de Aids

Gabriel Jaramillo, que foi diretor do Santander e comandou fusão com Banespa, vai comandar entidade atolada em denúncias de desvios de verbas

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 03h01

A maior instituição de financiamento do combate à aids convocou um banqueiro colombiano-brasileiro para resgatar sua credibilidade e gerenciar bilhões de dólare. O Fundo Global contra Aids, Malária e Tuberculose anunciou Gabriel Jaramillo como gerente-geral da entidade, que tem mais de US$ 10 bilhões até 2013 para programas de saúde.

Jaramillo, nascido em Bogotá e com cidadania brasileira, atuou como banqueiro nos últimos 30 anos. Foi CEO do Citibank no México e presidente do Santander e do Citibank na Colômbia nos anos 1990. No Brasil, destacou-se no setor financeiro. Em 1999, coordenou a ofensiva do Santander para vencer o leilão do Banespa, no ano seguinte, pelo qual o grupo espanhol pagou US$ 7 bilhões,

O ágio foi de 280% no preço inicial, mas o processo político, que gerou críticas até do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi marcado por polêmicas. Por uma década, Jaramillo presidiu o Santander Banespa no Brasil. Mas, acima de tudo, liderou a expansão do grupo espanhol no País e na América Latina. Hoje, mais da metade da renda do banco vem de suas operações na região. Ao deixar o banco, em 2009, ele era a oitava instituição financeira do mundo.

Jaramillo seguiu para os EUA, onde assumiu o Sovereign Bank e se aposentou dois anos depois. Em 2010, foi escolhido pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para ser o enviado especial para o combate à malária.

Agora, deverá garantir que os bilhões de dólares dados a governos sejam aplicados na luta contra as doenças. Nos últimos meses, o fundo tem sido alvo de suspeitas de fraudes e até de uso dos recursos pela primeira-dama francesa, Carla Bruni.

A atual direção foi despedida e, na apresentação do ex-banqueiro, a assessoria do fundo fez questão de apontar a "integridade absoluta" de Jaramillo. "Minha prioridade é a de obter a máxima eficiência, controle e resultados concretos que salvam vidas", disse. "Começaremos um reorganização que dará ênfase na simplicidade, disciplina e rigor, com o gerenciamento dos fundos como a atividade central da instituição", completou.

Criado em 2002, o fundo se transformou no maior financiador de programas de saúde no mundo. Seus projetos garantem acesso a remédios contra a aids para 3,3 milhões de pessoas, tratamento para tuberculose para 8,6 milhões e atendimento para 230 milhões ameaçados pela malária.

Saída. O ex-diretor, o francês Michel Kazatchkine, caiu após ser criticado internamente por não se esforçar o suficiente no combate ao desvio de verbas e em garantir a eficiência do dinheiro de doadores. Ele teve sua posição mais fragilizada após acusações da imprensa europeia de que fundos da entidade beneficiaram Carla Bruni, primeira-dama francesa e sua amiga.

O fundo teria transferido a uma ONG de um amigo de Carla Bruni 580 mil. Essa ONG teria como embaixadora a própria primeira-dama. O francês negou a acusação e garantiu que sua queda não tem relação com o fato.

As polêmicas não se limitam a esse caso. Em 2011, uma auditoria interna revelou corrupção com o dinheiro do fundo e que uma parte dele nunca chega às vítimas da aids, tuberculose ou malária.

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