Brasília se despede de seu criador

Corpo do arquiteto Oscar Niemeyer, que morreu anteontem aos 104 anos, é levado para a cidade que projetou e lhe deu fama mundial, onde foi velado por 3,8 mil pessoas; enterro será hoje, no Rio

O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2012 | 23h49

A capital federal parou para dar o último adeus a Oscar Niemeyer, que morreu na noite de anteontem no Rio de Janeiro, aos 104 anos. O caixão com o corpo do arquiteto que projetou Brasília, inaugurada em 1960, chegou no final da manhã em um avião cedido pela Presidência da República, foi colocado num carro do Corpo de Bombeiros e passou pelas imponentes obras desenhadas pela prancheta de Niemeyer até chegar à Praça dos Três Poderes. Em seguida, carregado por oito cadetes da Polícia Militar do Distrito Federal, o corpo do arquiteto subiu a rampa do Palácio do Planalto e foi homenageado no Salão Nobre, onde o aguardavam a presidente Dilma Rousseff, a viúva, Vera Lúcia, e várias autoridades. Do lado de fora, uma multidão fez fila para aguardar o fim da cerimônia oficial e poder velar o corpo do arquiteto - segundo a Polícia Militar, 3,8 mil pessoas acompanharam o velório, que ficou aberto ao público por 3 horas.

Antes, pela manhã, parentes e um grupo de 30 pessoas participaram de uma oração com corpo presente na capela do Hospital Samaritano, no Rio, celebrada pelo padre Jorjão, amigo da família. Niemeyer era ateu, mas gostava das celebrações do pároco. Assim, ironicamente, depois de morto, Niemeyer participou de uma celebração religiosa e viajou de avião - duas coisas que evitava em vida.

A morte do maior arquiteto brasileiro repercutiu pelo mundo. Os principais jornais norte-americanos destacaram seu legado e os europeus reverenciaram sua influência. Os maiores arquitetos da atualidade também deixaram claro a importância de Oscar Niemeyer, que será enterrado hoje, no Rio de Janeiro.

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