Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Brega, mas não sobra nada

Brega, antiquada, bebida de quem não sabe beber... Não dê ouvidos aos desaforos mais frequentes lançados contra a sangria. É puro preconceito. Por mais que se fale mal dela, ninguém acha que é ruim.

Patrícia Ferraz - O Estado de S.Paulo,

28 de dezembro de 2011 | 16h57

Ok, sempre haverá alguém disposto a usar pêssego em calda, laranja enlatada e vinho de garrafão só para difamá-la... Mas a sangria que a Espanha toda bebe no verão (na hora do almoço) e os andaluzes tomam também no resto do ano é feita com ingredientes frescos e de qualidade. Frutas da estação maduras e bom vinho (sem exagero, claro). Originalmente era feita só com pêssego, maçã e laranja. Mas cada um usa a fruta que preferir. Sangria é um pouco como tortilla e paella: o preparo tem um método, porém a receita varia conforme a vontade.

A sofisticação está nos detalhes. As frutas devem ser frescas, bem cortadas, colocadas numa jarra e levemente pressionadas para que absorvam o vinho e emprestem seu sabor à bebida. Depois de pronta, deve ir à geladeira por duas horas antes de ser consumida - se descansar por menos tempo, fica sem gosto; por mais, a fruta perde o frescor.

Leia Também

RECEITA - Sangria

Com uma sangria feita com esses cuidados, você será capaz de ouvir castanholas em plena hora do rush na Avenida Paulista.

É para ver e comer

Pode haver sobremesa com mais cara de caseira do que uma travessa de pavê? De vidro, lógico, para que a gente veja camada por camada: os biscoitos (geralmente champanhe) embebidos em alguma calda, um creme básico de gemas, leite condensado e leite por cima, alguma fruta em calda ou nozes e uma cobertura.

Talvez por isso, pela simplicidade e aspecto caseiro do pavê, sempre acompanhado da piadinha infame proferida por 11 entre cada 10 tios e primos - "é só para ver ou pode comer?" -, é que esta sobremesa seja uma das vítimas mais frequentes do preconceito gastronômico.

Por mais que ela possa estar à mesa num almoço informal de domingo, raramente é servida numa refeição com ares mais sofisticados, quando se recebe uma visita pela primeira vez e é urgente a necessidade de (bem) impressionar. Da mesma forma que é a coisa mais difícil encontrá-la no menu de sobremesas dos restaurantes. Há uma enxurrada de crèmes brûlées e petits gâteaux. Mas nada de pavê.

Por isso o Paladar levanta uma placa de protesto em defesa do pavê: faça, coma e defenda o doce, seja qual for a receita. É fácil de preparar, gostoso e geladinho. Não vai sobrar camada sobre camada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.