Breve passeio pelas uvas francesas

A França vai muito além de seus vinhos mais conhecidos. Quanto mais atalhos e pequenas estradas se toma, mais uvas e vinhos aparecem. Uma geografia inteira vinícola. Aqui umas poucas garrafas para começar. A Cabernet Franc é gostosa e cheia de tipicidade no Loire, nas apelações Bourgueil e Chinon. Alguns bons exemplares nas importadoras locais são os biodinâmicos de Catherine et Pierre Breton, como o Chinon "Beaumont" 06 (World Wine, R$134) e o Bourgueil Cuvée Tuffeaux 2006 do Domaine Damien Lorieux (La Cave Jado, R$ 53). Também no Loire fica a mais expressiva Sauvignon Blanc, como os sussurantes Sancerres (como sugeriu o crítico do NYT, Eric Asimov). Um bem representativo, gostoso, com perfeita acidez e muito austero no nariz, mas explosivo na boca é o Sancerre Conte Lafond 06 (Vinci, US$ 77,50). E continuando no Loire, o reino da Chenin Blanc, como os polêmicos vinhos de Nicolas Joly, La Coulée de Serrant Savennières (Expand e Porto a Porto, safras e preços bem variados) e os Clos du Papillon do Domaine Baumard (o 2005 na Mistral, US$ 69,50). Esta uva evolui muito bem, e ganha imensa complexidade com o passar dos anos, tanto no aroma quanto no seu sabor profundo e harmonioso. O sudoeste é origem das mais famosas uvas da América do Sul. Tanto Tannat quanto Malbec saíram de lá. A possibilidade de provar versões francesas e daqui da região é uma ótima maneira de aprender sobre tipicidade. A Tannat de Alain Brumont, o "Orson Welles do Madiran" como foi chamado pelo crítico britâncio Andrew Jefford, é das mais famosas. Seus notáveis Château Montus 2002 (Decanter, R$ 147,10) e Château Bouscassé 2002 (Decanter, R$ 107,70) têm longo tempo de guarda e são poderosos e finos, ao mesmo tempo. Não são tão diferentes de seus pares uruguiaos, com bastante acidez e taninos fortes, que precisam de longa e recompensadora espera. Se os Tannats tem personalidade semelhante nos dois lados do Atlântico, o mesmo não ocorre com a Malbec. Os vinhos mais típicos de Cahors são inteiramente diferentes de seus primos argentinos. Muito escuros, com acidez natural elevada e taninos finos, divergem completamente da relativa amabilidade e facilidade dos mendocinos. Mas compensam a curiosidade de quem prová-los. São vinhos únicos, intenso cheiro de violetas e couro no nariz. Bons exemplares são o Château du Cèdre, tanto no primeiro vinho, o "Le Cèdre" 04 (World Wine, R$ 220) quanto o segundo, o Chatons du Cèdre 05 (World Wine, R$ 48). Igualmente delicioso o Château Lamartine 02 (Vinci, US$ 42,90). No campo dos vinhos de exceção, os do Jura. Há casos de pessoas que devolvem estes vinhos, julgando-os defeituosos. Na verdade são espetaculares, aparentados do Jerez espanhol, mas feito com a uva Savagnin. A importadora Tire Bouchon é a única a traze-los, no momento. O Savagnin Domaine Baud 2003 custa R$ 140 e vale cada gotinha. São vinhos prediletos e não posso disfarçar meu gosto.

Luiz Horta,

07 Maio 2009 | 10h10

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