BRF espera queda de barreiras para avançar em suínos no exterior

A Brasil Foods (BRF), companhia surgida da associação entre Perdigão e Sadia, avalia que barreiras comerciais e sanitárias precisam cair para que a empresa possa avançar mais na exportação de carne suína.

ROBERTO SAMORA E GUILLERMO PARRA-BERNAL, REUTERS

19 de maio de 2009 | 18h36

O Brasil é o primeiro exportador mundial de carne de frango, com Sadia e Perdigão respondendo por cerca de metade das vendas brasileiras no exterior em volumes, mas é apenas o quarto no ranking do comércio global de carne suína.

Sadia e Perdigão exportaram no ano passado pouco mais de 200 mil toneladas de produtos suínos, de um total exportado pelo Brasil de 530 mil toneladas.

"Na exportação, o frango é dominante, mas ele só está dominando porque existem ainda muitas barreiras, por exemplo, à carne suína", disse nesta terça-feira a jornalistas Luiz Fernando Furlan, co-presidente da BRF e presidente do Conselho Administrativo da Sadia.

"No momento em que tiver a abertura da Europa, China ou eventualmente Japão, vamos ter capacidade de expandir esse negócio fabuloso", acrescentou ele, referindo-se à carne suína.

Alguns países como China e Japão utilizam barreiras sanitárias para barrar a carne suína do Brasil.

Com o objetivo de, entre outras coisas, derrubar tais barreiras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na China nesta semana.

Mas, de acordo com exportadores brasileiros, embora não tenha sido dessa vez que o setor de suínos conseguiu chegar à China, a abertura da Europa pode estar próxima.

"Infelizmente, ainda não foi desta vez que conseguimos abrir o mercado chinês para a carne suína nacional", disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, em um comunicado nesta terça-feira.

Camargo Neto, que acompanhou Lula, disse que a burocracia da Administração Geral de Quarentena, Supervisão e Inspeção, o serviço veterinário chinês, "não foi vencida".

Segundo ele, o máximo obtido foi a concordância com um cronograma de etapas a serem cumpridas, que poderia permitir a abertura do mercado da China, o principal consumidor de suínos no mundo, até o fim do ano, em tese.

Na área de aves, entretanto, o Brasil obteve melhores resultados com a visita de Lula, o que poderá beneficiar a vendas da BRF.

Segundo o ministro da Agricultura brasileiro, Reinhold Stephanes, em 30 dias o Brasil deve enviar para a China o primeiro embarque de carne de frango.

Até o momento, as empresas brasileiras apenas exportam para Hong Kong, e não para a China continental.

A China habilitou, desde novembro de 2008, 24 frigoríficos brasileiros de carne de frango, mas nenhum embarque para o país asiático foi realizado até o momento.

NOVOS PASSOS EXTERNOS

De acordo com Furlan, a associação da Sadia com a Perdigão e a anunciada oferta de ações de 4 bilhões de reais darão uma solução ao endividamento de curto prazo da nova companhia, a BRF, permitindo também à empresa avaliar seus investimentos no exterior com uma estratégia mais ousada.

Antes da associação, a Sadia havia cogitado negociar sua unidade na Rússia para pagar dívidas.

"A Rússia muda de figura, uma fábrica compartilhada tem uma visão diferente, e não tem pressão do endividamento de curto prazo e mais tempo para pensar na solução", disse Furlan.

"Se ela era interessante para uma empresa, para as duas se torna muito interessante e estratégico."

Questionado sobre a instalação de uma unidade no Oriente Médio, que recebe a maior parte das vendas das duas empresas, Furlan afirmou: "certamente, os projetos conjuntos serão muito mais viáveis agora".

ESPERA PELO CADE

No plano interno, as empresas, que não assinaram nenhum acordo com o Conselho Administrativa de Defesa Econômica (Cade), têm 15 dias, a partir do anúncio do negócio, para apresentar a operação ao órgão de defesa da concorrência no Brasil.

Furlan e o outro co-presidente da BRF, Nildemar Secches, não fizeram comentários sobre eventuais desinvestimentos que seriam obrigados a fazer em função da grande concentração em alguns segmentos.

Mas o presidente-executivo da Perdigão, José Antonio do Prado Fay, afirmou posteriormente a analistas que a nova empresa não teria a necessidade de se desfazer de alguns ativos, como vem sendo falado.

"Vamos encaminhar ao Cade e vamos discutir tecnicamente. Mas acho que não há problemas maiores. Não dá pra saber ainda, se tem algum segmento específico, se vamos ter que nos desfazer de alguma marca. Acho que podemos manter tudo", declarou Fay, observando que há "players" importantes, principalmente no Sul do Brasil.

"Na verdade é o que nós queremos. O Cade vai dizer pra gente o que a gente pode e o que a gente não pode."

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