BRF ganha mais duas semanas para negociar com Cade

A Brasil Foods (BRF) ganhou mais duas semanas para negociar um acordo e tentar convencer o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a aprovar a incorporação da Sadia pela Perdigão, que deu origem à empresa.

LEONARDO GOY, REUTERS

15 Junho 2011 | 13h56

O conselheiro do Cade Ricardo Ruiz decidiu nesta quarta-feira adiar até a próxima sessão do conselho o julgamento do caso, atendendo a pedido da BRF. Como há feriado na próxima semana, a retomada do processo ficou para o dia 29 de junho, segundo a assessoria de imprensa do Cade.

Na semana passada, Ricardo Ruiz já havia pedido vista do processo após o relator do caso, Carlos Emmanuel Ragazzo, votar pela reprovação do negócio que criaria a maior exportadora mundial de aves.

Após o Cade ter postergado o julgamento nesta quarta, as ações da BRF ampliaram a alta na bolsa paulista. Mas por volta das 11h45 os papéis da companhia reduziam os ganhos, subindo 2 por cento, a 25 reais, contra queda de 0,4 por cento do Ibovespa. Na máxima até o horário, as ações da empresa chegaram a avançar 4,74 por cento.

"Teremos um pouco mais de tempo para tentar demonstrar para os demais conselheiros que pode existir uma solução negociada", declarou ao deixar o Cade o vice-presidente de Assuntos Corporativos da BRF, Wilson Mello.

A BRF considera que é prematuro falar em "remédios" para a aprovação da operação pelo Cade, como a eventual venda de ativou ou marcas, para reduzir a concentração de mercado.

"É muito prematuro falar sobre isso. Você tem agora que identificar com calma as preocupações. Uma vez identificadas, nós podemos buscar os remédios e as alternativas que podem fazer com que este caso tenha um desfecho de consenso", disse o executivo a jornalistas.

Segundo ele, a companhia agora terá mais tempo para demonstrar aos conselheiros do Cade que pode existir solução para o caso. A BRF, disse ele, acredita que todos os argumentos para a operação já estão colocados no processo do órgão antitruste.

"Não está se falando de novos fatos, novos elementos, de novos argumentos. Nós estamos falando é de uma oportunidade de poder administrar os argumentos e os documentos e discutir de forma aberta", disse Mello.

A BRF, disse Mello, quer evitar que o caso vá para a Justiça e aproveitará o prazo para tentar convencer os conselheiros do Cade que ainda não votaram.

Segundo o Cade, desde o pedido de vista de Ruiz, na semana passada, já foram feitas duas reuniões entre advogados e executivos da BRF e conselheiros do órgão antitruste.

CENÁRIO MAIS POSITIVO

De acordo com o analista Cauê Pinheiro, da SLW Corretora, o adiamento da sessão no Cade mostra que o caso pode ter uma solução negociada.

"Ainda é cedo para saber o que vai ser definido, mas acho que sinaliza que o Cade está querendo que dê certo. Eles estão dispostos a negociar... Então já muda o cenário, já acaba sendo mais positivo para a empresa", afirmou Pinheiro.

A alta nas ações nesta quarta-feira é reflexo dessa situação.

"Acho que o papel está reagindo por conta da mudança do cenário. A expectativa era de que fosse votado hoje. Existia o risco disso ser votado e eles teriam que ir para a Justiça (caso reprovado)... (agora) acaba sendo um pouco mais tranquilo para a empresa", comentou.

(Reportagem adicional de Roberto Samora e Silvio Cascione, em São Paulo)

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