Bruno Bozzetto dá uma cara à animação italiana

Semana dedicada à Itália traz também Tornatore e a bela Maria Grazia Cuccinota como atrações

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2009 | 00h00

Bruno Bozzetto se antecipou a Sergio Leone na criação - ou estabelecimento - de um gênero que foi muito popular no cinema italiano dos anos 1960 e 70. Animador, ele resolveu dar vazão a seu amor pelos códigos do western fazendo West and Soda. Mas o processo lento, artesanal, de fazer um longa animado num país sem tradição, o levou a trabalhar durante dois anos no projeto. Quando conseguiu terminar West and Soda, Leone já havia feito - em três meses! - Por Um Punhado de Dólares, transpondo para o wild west dos EUA, recriado nas planícies da Espanha, a trama do cultuado Yojimbo, de Akira Kurosawa.

Bozzetto conversa com o repórter do Estado na segunda-feira à tarde, num hotel elegante dos Jardins. Ele está desde domingo na cidade. Tem caminhado bastante. A diversidade cultural de São Paulo o atrai como um enigma que precisa decifrar. Bruno Bozzetto é um dos três grandes convidados da 5ª Semana Pirelli de Cinema Italiano. O evento vai se tornando tradicional no calendário da cidade. Este ano traz três importantes convidados. Além dele, Giuseppe Tornatore e Maria Grazia Cuccinota.

Tornatore chegou ontem de manhã. Com seu título de comendador, outorgado pelo governo italiano, participa de uma retrospectiva de sua obra. Para o público de todo o mundo, é conhecido principalmente por Cinema Paradiso, que venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro. Mas Tornatore também fez Estamos Todos Bem, Uma Simples Formalidade, O Homem das Estrelas, A Lenda do Pianista do Mar e Malena, com a esplendorosa Monica Bellucci. O novo filme, Baaria, estreou no recente Festival de Veneza e teve críticas duras, o que não o impede de ser uma das atrações anunciadas da 5ª Semana do Cinema Italiano.

Tão bela como a Bellucci, Maria Grazia, que chega no sábado, virou objeto de desejo do público de todo o mundo em O Carteiro e o Poeta, de Michael Bradford, em que o carteiro Massimo Troisi ganha ajuda do poeta Pablo Neruda, exilado na Itália, para seduzir a deusa que mexe com seus nervos. Será um reencontro do público de São Paulo com o cinema italiano. Filmes, workshops, seminários. No caso de Bozzetto, uma descoberta. Suas animações são para adultos. É o problema, ele admite. "Na Itália, desenho animado é igual a produção para crianças. Eu quero falar dos grandes temas contemporâneos. Da guerra, da violência. Os produtores se recusam a botar dinheiro nos meus filmes, eu tenho de pagar por eles." Bozzetto criou esse personagem, o senhor Rossi, para criticar tudo e todos. Allegro non Troppo é o seu Fantasia, quase sempre comparado à animação de Walt Disney. Se você entrar na internet, encontrará os pequenos filmes da sua série Far West. O gênero o atrai. Com o spaghetti western, ele inventou a animação "all"italiana".

Serviço

5.ª Semana Pirelli de Cinema Italiano. A partir de sexta nas salas: HSBC Belas Artes. 3258-4092; Cinemark Iguatemi. 3814-5389; Cinemark Pátio Paulista. 3142-9242

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