Bruxelas critica imprensa que ''distorce'' fatos

UE comenta ''notícias alarmistas'' sobre supostos projetos de ''eurocratas loucos''.

Márcia Bizzotto, BBC

04 de setembro de 2007 | 15h15

A Comissão Européia, órgão executivo da União Européia, saiu em defesa de seu trabalho criticando a atuação do que chama de "imprensa sensacionalista", que "divulga com freqüência notícias alarmistas sobre supostos projetos de eurocratas loucos".Em um artigo intitulado "Euromitos: hora de esclarecer os fatos", publicado em sua página na internet, a CE faz referência a meios de comunicação que utilizam manchetes "exagerando ou distorcendo" decisões anunciadas por Bruxelas a fim de tornar a notícia mais atraente."Enquanto algumas matérias são baseadas em fatos mal interpretados ou exagerados, outras são simplesmente inventadas, como a publicada pelo (tablóide britânico) The Sun sobre supostos planos da União Européia de alterar o nome de um prato rápido indiano chamado Bombay mix para Mumbai mix, para ser politicamente correto. A história foi inventada pelo editor de uma agência de notícias que declarou que ''a idéia era arranjar algo divertido para os tablóides''", diz o Executivo europeu."Entendo perfeitamente que a Comissão Européia esteja irritada com essas matérias. Não podemos criticá-la por se defender dessas afirmações", disse à BBC Brasil Renate Schroeder, diretora da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) na Europa, depois de avaliar os exemplos listados no artigo da CE.A origem do "fenômeno", segundo Bruxelas, está na imprensa britânica e o The Sun é o jornal mais citado.Em abril de 2005, por exemplo, o tablóide publicou uma notícia entitulada "Obrigarão nossos pedreiros a não se despir ao sol". Tratava-se de uma proposta de lei da UE segundo a qual os empregadores teriam que garantir proteção contra danos aos olhos e à pele de empregados que trabalham sob o sol.Em outra notícia, de fevereiro de 2004, The Sun afirmou que "mulheres ruborecidas terão que devolver seus brinquedos sexuais destroçados, segundo uma nova lei européia"."Elas deverão levar velhos vibradores de volta para reciclar antes de poder comprar um novo", dizia a matéria.Na verdade, a lei à qual o jornalista se referia obrigava vendedores de produtos eletrônicos a receber equipamentos velhos para serem reciclados sem custo para o consumidor e não fazia nenhuma restrição à compra de novos equipamentos.O jornal Daily Telegraph, também da Grã-Bretanha, publicou, em fevereiro de 2003, uma notícia afirmando que a UE queria que "cada ovo" vendido em seu território estampasse "detalhes sobre a galinha específica que o colocou"."A informação obrigatória (para produtores de ovos) se limita a um código que designa o número de distinção do produtor e que permite identificar o método de produção", afirma a Comissão Européia."Eu entendo que às vezes os jornalistas em Bruxelas estão entediados com as notícias do dia-a-dia, mas esse tipo de atitude mostra que há meios que precisam dar um melhor treinamento a seus profissionais e prezar por valores como precisão, objetividade e imparcialidade, que é o que defendemos", afirma a diretora da FIJ.Para Bruxelas, as matérias "maquiadas" são tão engraçadas quanto "perigosas"."Como se espalham rapidamente na internet e outros meios, convertem-se em verdades absolutas e criam a idéia de uma União Européia supercontroladora, que mete o nariz onde não é chamada", critica a CE.No entanto, as autoridades européias dizem que ainda não pretendem tomar medidas legais contra os produtores de notícias distorcidas e esperam que o puxão de orelha público funcione como castigo.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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