BTG considera aquisições para fazer Leader crescer

O braço de participações do BTG Pactual avalia fazer outras aquisições no segmento varejista para colocar em prática a estratégia de crescimento da Leader, após ter anunciado mais cedo a aquisição de cerca de 40 por cento da empresa.

REUTERS

29 Maio 2012 | 17h28

"Existe muito espaço para crescimento orgânico, para abrir novas lojas... mas também existe potencial para novas aquisições", disse o diretor de Merchant Banking do BTG Pactual, Carlos Fonseca, em teleconferência nesta terça-feira.

Sediada no Rio de Janeiro, a Leader tem atualmente 62 lojas em operação e outras 19 previstas para serem inauguradas, a maior parte ainda este ano.

"Planejamos levar a companhia a um segundo patamar de crescimento", disse o executivo. "Temos ideias, mas nada concreto no momento", acrescentou, referindo-se a aquisições.

A divisão do BTG anunciou pela manhã a compra direta de 35,88 por cento da Leader, pelo valor à vista de 558,4 milhões de reais.

O acordo prevê também um aumento de capital a ser subscrito por controladas da BTG Participations, no valor de 106,7 milhões de reais e representativo de 6,42 por cento do capital da varejista, o que elevaria a primeira fase da aquisição a aproximadamente 665,1 milhões de reais.

O BTG terá ainda a opção de adquirir adicionais 20 a 30 por cento da Leader no prazo de 90 dias a partir da data de fechamento da aquisição dos quase 36 por cento, prevista para 20 de junho. No caso da aquisição de mais 30 por cento, o valor do negócio ficaria em perto de 1 bilhão de reais.

Segundo Fonseca, o objetivo é exercer a opção de compra de 30 por cento, passando a deter 70 por cento da varejista. "Queremos que (a empresa) seja uma grande plataforma do setor... nosso apetite por crescimento é muito grande".

Para isso, além de futuras aquisições, o BTG considera expandir para novos mercados a atuação da Leader, que opera em oito estados atualmente.

"Vamos estudar e definir com a companhia", disse ele. "Logística é um fator importante, mas a ideia é expandir a atuação para outros estados".

O acordo anunciado mais cedo inclui as operações de comércio eletrônico da Leader e a joint venture que a empresa possui com o Bradesco na área de cartões, o que segundo Fonseca "permanece inalterado". Também não estão previstas "mudanças radicais" na diretoria da varejista, conforme o executivo.

A Leader registrou receita líquida de cerca de 1 bilhão de reais no ano passado, sem considerar as operações com cartões, que contribuíram com quase 300 milhões de reais. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou 170 milhões de reais em 2011.

Há pouco mais de quatro anos, a Lojas Renner chegou a negociar a compra da Leader por 670 milhões de reais, mas o negócio foi abortado meses depois, diante da crise econômica e financeira global em 2008.

VEÍCULO DE CONSOLIDAÇÃO

Nos últimos anos, o BTG vem expandindo sua atuação na compra de participações de empresas (private equity) e como merchant bank (ao fornecer capital para companhias sob a forma de participação acionária em vez de empréstimos).

A ideia é usar a experiência do grupo liderado pelo banqueiro André Esteves para obter recursos de longo prazo no mercado, ao menor custo possível, para financiar a expansão de empresas que sirvam como veículo de consolidação em setores relevantes da economia.

O passo inicial do BTG no segmento varejista foi comparado por Fonseca à trajetória da Brazil Pharma, holding de drogarias que, após uma série de aquisições de empresas menores, alcançou recentemente uma posição entre as maiores do setor no país, com mais de mil lojas em operação.

"Nosso objetivo é focar em companhias com potencial de crescimento muito grande", disse o executivo. "Considerando o movimento de queda de juros... temos uma visão muito positiva", afirmou, referindo-se à Leader que, segundo ele, está protegida contra qualquer movimento de desaquecimento do mercado.

(Por Vivian Pereira)

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