BTG se firma entre grupos mais valiosos do país com IPO

O BTG Pactual , maior banco de investimentos independente da América Latina, fez pedido nesta quinta-feira para realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

01 Março 2012 | 13h30

O valor atual do banco estaria em torno de 15 bilhões de dólares -o que o colocaria entre as 20 maiores companhias listadas em bolsa no Brasil, acima de nomes como Cemig, BM&FBovespa e JBS.

O IPO da instituição financeira do banqueiro André Esteves era amplamente aguardado no mercado.

A operação compreenderá novas ações (oferta primária) e a venda de papéis nas mãos de alguns sócios (oferta secundária), e terá esforços de colocação no exterior.

O Banco BTG Pactual venderá certificados de valores mobiliários, ou units, compostos por ações ordinárias e preferenciais na bolsa paulista. Além disso, as units incluirão Brazilian Depositary Receipts (BDRs) representativos de ações da BTG Pactual Participations.

As units do banco serão negociadas no Nível 1 de governança corporativa da Bovespa. Simultaneamente será realizada uma oferta no exterior apenas para investidores institucionais, com listagem no Euronext Amesterdam, informou o banco em fato relevante.

Detalhes da oferta como faixa sugerida de preço para as units e quantidade de títulos, além do cronograma da operação, ainda não foram divulgados.

O BTG pediu registro de companhia aberta em agosto de 2011, meses após ter vendido 18,65 por cento de seu capital por 1,8 bilhão de dólares para um consórcio com fundos soberanos de Cingapura e de Abu Dhabi, o fundo de pensão canadense Ontario Teachers (OTPP) e a empresa de investimentos no setor financeiro J.C. Flowers. Na época, o BTG afirmou ter um patrimônio líquido de 4,4 bilhões de dólares.

Também no fim de agosto passado, o BTG iniciou conversas para fusão com a chilena Celfin Capital, negócio que foi concluído no começo de fevereiro. Com base no valor das ações envolvidas na compra do Celfin, o BTG teria atualmente um valor de mercado de cerca de 15 bilhões de dólares, segundo uma fonte revelou à Reuters.

Os recursos da oferta primária que irão para o caixa do banco serão usados para expandir todas as áreas de negócio da instituição, segundo informações no prospecto preliminar.

US$100 BILHÕES

Nos últimos anos, o BTG vem expandindo agressivamente sua atuação como merchant bank -quando o banco fornece capital para as empresas sob a forma de participação acionária em vez de empréstimos.

A carteira inclui fatias na empresa de estacionamentos Estapar, na holding de drogarias Brazil Pharma e na Rede D'or de hospitais, entre outras.

A ideia é usar a experiência do grupo para conseguir recursos de longo prazo no mercado ao menor custo possível para financiar a expansão de empresas que sirvam como veículo de consolidação em setores da economia altamente fragmentados.

"Nossa função é fazer a máquina da economia funcionar ao máximo", disse Esteves, principal sócio do BTG e presidente do banco, a jornalistas recentemente.

Numa de suas maiores tacadas, o BTG anunciou em janeiro de 2011 a compra do controle do Banco Panamericano por 450 milhões de reais, após a instituição, então do grupo Silvio Santos, ter sido alvo de uma fraude de 4,3 bilhões de reais.

Em dezembro último, Panamericano e BTG compraram a Brazilian Finance & Real State, que atua no mercado financeiro imobiliário, numa transação estimada em 1,2 bilhão de reais.

Unindo todos os investimentos do grupo, incluindo o braço de private equity que tem sob o guarda-chuva as construtoras WTorre e BRProperties, além da gestão de recursos de brasileiros e de não-residentes, o BTG administra uma carteira de cerca de 100 bilhões de dólares, segundo o próprio Esteves.

Além disso, o braço de banco de investimentos do BTG costuma frequentar as primeiras posições dos rankings de coordenadores de captações no mercado de capitais brasileiro.

No IPO do grupo, os acionistas vendedores serão a Marais LLC e a Europa Lux, sediadas nos Estados Unidos e em Luxemburgo, respectivamente. No prospecto preliminar da oferta, não há dados sobre a quantidade de ações que cada um dos sócios irá se desfazer.

A Marais tem 0,45 por cento do capital social do Banco BTG Pactual e 0,03 por cento do BTG Pactual Participations, enquanto a Europa Lux possui ações representativas de 4,15 por cento do capital social do banco e de 0,31 por cento da unidade de participações, segundo o prospecto.

(Reportagem adicional de Alberto Alerigi Jr.)

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